28 de dez. de 2019
Carlos Carvalho: RETORNAR ao básico é preciso!
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27 de dez. de 2019
Carlos Carvalho: A FARSA DO AQUECIMENTO GLOBAL
Carlos Carvalho: A FARSA DO AQUECIMENTO GLOBAL: A FARSA DO AQUECIMENTO GLOBAL Após mais de 12 horas ouvindo e lendo ininterruptamente material de cientistas sérios do Brasil e do...
16 de dez. de 2019
Carlos Carvalho: A POBREZA É ACIMA DE TUDO UMA MENTALIDADE
Carlos Carvalho: A POBREZA É ACIMA DE TUDO UMA MENTALIDADE: A POBREZA É ACIMA DE TUDO UMA MENTALIDADE Quando definimos genericamente o termo pobreza encontramos as seguintes ideias: a) ...
2 de dez. de 2019
26 de nov. de 2019
UM ESTUDO DE CASOS (quase fictícios)
ESTUDO DE CASO quase fictício
Imagine um caso:
Uma criança que nasceu em situação de grande pobreza, cujos
pais não puderam lhe prover coisas boas, nem com roupas, sapatos, festinhas de
aniversário, brinquedos ou aparelhos eletrônicos. Ela cresce em meio a um mundo
consumista, que faz propaganda insana de seus produtos e promete uma vida
excelente. Esta criança fica exposta a isso todos os dias durante seu
desenvolvimento.
Vai à escola e diariamente vê alguns de seus amigos e
colegas desfrutarem de muitas das coisas que ela gostaria de ter, mas seus pais
não prosperaram a ponto de lhe oferecer. Cresce sabendo que, com todos os
esforços possíveis, seus pais lhe amam e desejam um dia que ela também desfrute
do que há de “bom” nas coisas deste mundo, porém, sem sucesso. Chega a fase da
adolescência, ela entende as dificuldades de sua família, mas tem fortes
desejos de ser “igual” aos outros.
Numa oportunidade excepcional, se vê diante de um celular
bonito, chamativo e com aplicativos maravilhosos. É tudo que ela quer naquele
momento. Olha para os lados, percebe a possibilidade de não ser pega em
flagrante, e, num relance inimaginável até ali, furta o aparelho. O esconde por
um tempo, não vendo mais o perigo passa a usá-lo, mente aos pais que foi um
presente de alguém que gosta dela e a vida segue. Cometeu o crime de furto,
motivado pelo anseio de possuir e de ser “igual” a todo mundo. Um dia as
consequências virão, mas por enquanto...
Na mesma rua, outra criança, basicamente com a mesma
história, nasce e cresce no mesmo ambiente e com os mesmos anseios. Na escola,
já na adolescência, por conta de amizades complicadas, é impulsionada a roubar
um celular de uma jovem. A adrenalina do momento, a forte excitação provocada
pelo ato, e a posterior sensação de impunibilidade, mesmo sem saber ao certo o
que todas essas emoções lhe dizem, a fazem sentir-se poderosa.
Os dias passam, as amizades complicadas se avolumam, decide
deixar a escola, pois o ambiente de estudos e disciplina já não a atraem e as
pessoas ali, não apoiam sua nova jornada de vida. Compra ou empresta uma arma,
passa a realizar roubos quase diários, sendo capturada pela polícia, passando
por Instituições de correção de menor várias vezes durante a adolescência e
início da fase adulta. O poder de usar uma arma e de coagir alguém a lhe dar o
que quer por força e violência torna-se uma droga viciante que ativa
diariamente sua mente.
Escolheu o crime. Decidiu pela vida de bandido. Escolheu
novos amigos que, no máximo, morrerão juntos de maneira violenta. Passou a gostar
da emoção e adrenalina do perigo e da vida de fora da lei. Nunca mais estudará;
não mais lerá um livro sequer; não desfrutará da vida em sociedade e com bons
amigos; não viajará em férias com amigos ou família; verá o mundo na ótica da
criminalidade, do funk e da noite. Tornou-se um ser da escuridão e do submundo.
Alguém que vive com medo e apenas aprendeu a impor medo nos outros. Um pobre
bandido, que passa a figurar como número e índice de pesquisas sobre a
violência urbana.
Porque escrevi isso? Para fazer somente algumas perguntas a
você e à sua consciência de alguém que é coerente e que sabe observar o mundo
ao seu redor: QUAL DOS DOIS TIPOS DE PESSOAS você considera que é o mais comum
hoje? O primeiro ou o segundo? Qual dos dois tipos você acredita realmente que
superlotam as nossas cadeias e presídios? Como resolver essas situações sem
atingir o cerne da questão? Como alcançar uma sociedade mais justa quando
apenas abordamos os casos superficialmente? Existem passos a serem dados? Quais
são eles?
O primeiro é de fato saber e conhecer o problema e sua
causa, para depois pensarmos na aplicação de soluções concretas que atendam aos
reais problemas que acontecem na sociedade como um todo. Falar genericamente
sobre eles, apresentar números e índices, desconsiderar todos os dados ou criar
apenas alardes e gritaria, não trarão os benefícios que todos almejamos. Um
passo de cada vez. Porém, os primeiros, precisam ser profundos.
Carlos Carvalho
22 de novembro de 2019
8 de nov. de 2019
UM DIA ESTRANHO E ODIOSO NO BRASIL
UM DIA ESTRANHO E ODIOSO NO BRASIL
8 de novembro de 2019. Menos de 24 horas da decisão do STF
sobre a não permissão da prisão em segunda instância, vários pedidos de soltura
e algumas solturas já estavam em curso. Ao contrário do que disse o
Excelentíssimo Senhor Ministro Dias Toffoli, presos no escândalo do Mensalão
também serão soltos. É um enorme tapa na face dos brasileiros decentes e
honestos que rejeitaram ser enganados pelo falso discurso de Democracia
esquerdista, mas que esconde um projeto de poder e de controle social
comunista.
Estamos aguardando a reação concreta de nosso Congresso
Nacional, nas suas duas casas, Câmara e Senado, na esperança de percebermos um
rumo diferente nesta questão, pois, diferente dos Ministros do STF, nós votamos
e elegemos os Senadores e Deputados Federais com o objetivo de mudar o modus
operandi da política brasileira. Os próximos dias e meses serão decisivos e
essenciais para termos a certeza de que colocamos no Congresso gente de bem,
honesta e decente, e que realmente deseja que nosso país seja melhor em todos
os níveis e áreas, inclusive na moral e na ética.
Vale a pena lembrar, que nenhum dos presos de colarinho
branco, dos corruptos, dos ladrões dos cofres públicos, dos operadores e
tesoureiros do dinheiro roubado, dos propineiros, dos empresários e bilionários
condenados são inocentes. TODOS SE TORNARAM BANDIDOS E CRIMINOSOS CONDENADOS por
vontade própria e nem o STF poderá mudar essa condição. Não esperamos que as
pessoas sejam perfeitas, mas desejamos que cada um de nós procure ser o mais
honesto, decente, ético e moral possível, a fim de que essa marca maldita da
corrupção seja eliminada no Brasil, no grau máximo que pudermos alcançar. Permitam-me
citar algumas palavras para finalizar:
“[...] tudo nos está mostrando que
a consciência brasileira desperta, que a consciência brasileira está viva, que
a consciência brasileira se reergue, que a consciência brasileira não se acha
mais disposta a sofrer os coices das brutalidades, imbecilidades e ferocidades
que convertem as repúblicas bastardas em esponjadoiros de instintos adjetos,
costumes descarados e paixões vergonhosas.
Povo brasileiro! Reclamai, e vos
escutarão; exigi, e tereis; ordenai, e sereis obedecidos; sabei querer, e tudo
vos cedera. Uma nação não se deve recear senão de sua própria inconsciência, da
sua própria relaxação, da sua própria cobardia. [...]. Sois o povo. Sois a
nação. Sois o Brasil. Ante a vossa vontade, ante a vossa autoridade, ante a
vossa majestade, mandões, facções, minhocões não valem nada. Soprai, e vereis
como rebentam as bolhas de sabão. [...]. é todo o vosso patrimônio moral que se
foi. Fazei questão da sua posse. Empreendei a sua reconquista. Ponde a vida e a
morte na sua consolidação definitiva.”
Rui Barbosa
O
dever do povo
“[...] a finalidade, portanto, não
é outra coisa senão impedir o réu a causar novos danos a seus cidadãos e demover
os demais a causar outros semelhantes.”
Cesare
Beccaria
Finalidades
das penas
Carlos Carvalho
Teólogo, Cientista Social, Escritor, Blogueiro e Ciberjornalista.
O STF e a prisão em segunda Instância
Maioria do STF diz que
prisão em 2ª instância agora não pode mais (de novo!)
STF, dia 7 de novembro de 2019. Muitas foram as defesas em
prol de que o criminoso de colarinho branco não deva ser preso após Tribunal de
Segunda Instância decretar sua prisão, e apenas após a sentença do trânsito em
julgado, ou seja, depois de todos os recursos serem esgotados. É bom que se diga
que os que cometem os crimes de colarinho branco (corrupção, lavagem de
dinheiro e etc.), independentemente de serem presos em segunda instância ou
não, continuam sendo criminosos e ponto final.
Outra coisa estranhíssima foi, ao final do julgamento, serem
mencionados os homicídios como crimes mais graves (e são com toda certeza!),
que afetam os pobres e também as prisões que sequer têm sentença de qualquer
instância, e, novamente com os pobres em voga. Parece um tremendo contrassenso
se afirmar coisas como essas lidando com questões sociais. É bom que se diga (e
com coragem) que em nosso país os ricos não estão assassinando os pobres; são
os pobres quem matam os pobres, com raras exceções no primeiro caso.
Igualmente sério é desconsiderar que os crimes de colarinho
branco não são tão graves quanto os homicídios ou que não levam à morte pessoas
no Brasil. Quando a corrupção rouba descaradamente e destrói o erário público,
e, portanto, o dinheiro não chega nas instituições que assistem à população com
os serviços básicos, como saúde, segurança, previdência e outros, as pessoas
também morrem sem o atendimento que deveriam ter se os recursos estivessem
disponíveis. A corrupção mata e mata muito, só que algum Ministro do STF
esqueceu de mencionar.
Vimos mais uma vez a tal da incerteza jurídica brincar com o
nosso sistema. Isso porque em menos de três anos, o Supremo mudou o
entendimento sobre essa questão. Daqui a um ou dois anos novamente, haverá mais
dois Ministros novos, e o que nos espera? Uma nova disposição ou decisão? Até
quando ficaremos à mercê de posicionamentos políticos do STF em detrimento da vontade
popular, da Ética e da Moral? A Constituição não é um fim em si mesma e eles
são os guardiães dela, mas ela foi criada para o povo e do povo ela emana...
“Todo o poder emana do povo, que o
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta
Constituição”.
Artigo
primeiro, Parágrafo Único
Constituição
Brasileira de 1998
Carlos Carvalho
7 de novembro de 2019
7 de nov. de 2019
A MALDITA Conta de Energia
É o mesmo de sempre e um pouquinho mais. Somente escrevo
para me desestressar pelo fato de não poder fazer nada a respeito, porque nosso
sistema tributário é um monstro consumidor de nossos recursos e nossos políticos
são os criadores desse ser. Volta e meia tomo a coragem para analisar a conta
de energia de minha casa, e, sempre que faço isso, uma raiva profunda toma
conta de minha mente. Não posso fazer besteiras com a empresa de energia, portanto,
escrevo para aliviar a tensão.
Descobri uma série de itens que talvez nunca tenha notado,
mas me surpreendi com as coisas ali descritas. Minha conta deste mês foi de R$
143,50. É a média que pago, considerando o tamanho da casa, as luzes que se
acendem à noite até antes de dormir e a economia que sempre procuro fazer,
desligando todos os aparelhos, exceto a geladeira. O que me surpreendeu é que
na própria conta, num cantinho ao final, vem a demonstração de alguns valores
faturados, e lá, diz que de energia mesmo eu apenas gastei R$ 60,98, o restante,
ou seja, mais que o dobro desse valor é de impostos e tributos. Fui ler a
conta. Nos itens consta:
Adicional de Bandeira Amarela;
Adicional de Bandeira Vermelha;
CIP – Contribuição Municipal;
PIS (Programa de Integração Social);
COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social – que quem deveria pagar isso é a empresa e não eu!);
ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de
Mercadorias e Prestação de Serviços);
Distribuição;
Transmissão;
Encargos Setoriais (em outras palavras, pagamos para compensar
as perdas e prejuízos que a empresa pode ter);
E se atrasar 1 dia sequer, Mora, Juros e atualização pelo
IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado).
Como não se irritar? Como considerar normal um roubo desses
de nossos recursos pessoais com a permissão e leniência de todos os nossos
governantes até aqui? Além de sustentarmos uma máquina governamental pesada,
podre e inviável, pagamos por tudo. Amar o Brasil não é ser conivente com esses
assaltos legalizados. Lidamos com dois tipos de bandidos: os que nos roubam os
recursos legalmente e com os criminosos na rua que querem nos tirar o fruto do
nosso trabalho. Em ambos os casos, estamos sem alternativa.
É preciso fazer algo urgente como povo e como pessoas de bem
de fato que amam esse país. As sugestões podem ser postas à mesa...
Carlos Carvalho
7 de novembro de 2019
31 de out. de 2019
O SAL REFINADO E A ALIMENTAÇÃO MAIS NATURAL...
O SAL REFINADO E A
ALIMENTAÇÃO MAIS NATURAL
Não é um artigo sobre as duas coisas, mas uma constatação
interessante que me ocorreu hoje, assistindo à TV paga. Em um dos canais
aconteceu uma bela e bem feita propaganda de uma empresa de sal refinado. Isso mesmo,
propaganda de sal refinado.
Pode ter havido em algum momento algo parecido e nunca
percebi. Tenho lembranças de minha infância bem tenra, porém, em cerca de 40
anos, jamais tinha assistido a uma propaganda na TV sobre o sal branco e
refinado. O advento da alimentação natural, da eliminação de produtos refinados
da mesa de muitas pessoas e a veiculação em redes sociais e livros sobre os
malefícios dos alimentos industrializados, criaram um grande problema para as
empresas do setor.
Ver um anúncio deste tipo é um sinal surpreendente e uma
pequenina demonstração de que as décadas de ganhos e lucros sem
responsabilidade com a saúde das pessoas, começou a terminar e vai tirar muitas
dessas empresas de sua zona de conforto. Aguardemos os próximos capítulos.
C.K. Carvalho
26 de outubro de 2019
25 de out. de 2019
EMPRESAS & TRABALHADORES
EMPRESAS &
TRABALHADORES
Diferentemente do senso comum que atua no âmbito dos estames
do poder, que asseveram que as instituições superiores em nosso país são os
órgãos Executivo, Legislativo e Judiciário, de fato, usando da liberdade que me
assiste, as instituições mais importantes de nosso país são as EMPRESAS e os
TRABALHADORES. Sem esses dois...
Não há dinheiro na mão das pessoas,
Não há impostos e taxas para os Municípios, Estados e União,
Não há Previdência,
Não há bancos públicos ou privados,
Não há FGTS nem INSS,
Não há Comércio, Produtos e Serviços,
Não há 13º Salário,
Não há financiamento do sistema público,
Não há Congresso, STF nem Funcionalismo Público,
E muito mais...
Todas essas coisas dependem do que as Empresas e os
Trabalhadores geram, pois, o Estado não produz nada, mesmo sendo “dono” de tudo
por força das Leis que cria em detrimento de seu povo. O Governo e o Congresso
deveriam fazer tudo ao seu alcance para melhorar e facilitar a vida das
Empresas e dos Trabalhadores e não prejudicá-los em qualquer hipótese.
C.K. Carvalho
22 de outubro de 2019
19 de set. de 2019
Carlos Carvalho: PROPAGANDA é mesmo a alma do negócio
Carlos Carvalho: PROPAGANDA é mesmo a alma do negócio: Multiplica-se na maioria das cidades brasileiras, senão em todas, esse tipo de propaganda nos postes. Particularmente essa frase me ch...
17 de set. de 2019
CRIMES GRAVES e suas possíveis soluções a longo prazo.
CRIMES GRAVES
OPINIÃO
Crimes graves
como o homicídio, praticado por motivo fútil – o que demonstra a total
banalização da vida humana por quem o pratica – devem ser tratados com extremo
rigor, independentemente da idade do agressor.
A pena, em
casos assim, não poderia ser inferior a menos da metade do tempo de vida
restante que o réu possui, levando em consideração a média da expectativa de
vida brasileira. Em outras palavras, um adolescente que cometer tal crime aos
15 ou 16 anos, nesta conta, deveria ser sentenciado a cerca de 29,5 anos de
reclusão[1].
Sem possibilidade
de progressão, realizando trabalho obrigatório com a finalidade de indenizar
vítimas, ter recursos ao sair em liberdade ou sustentar família; acesso a
programas de estudos e cursos profissionalizantes e sem qualquer contato com o
exterior nos primeiros seis meses do recluso, salvo de advogado constituído e de
investigadores policiais.
Para isso
dever-se-ia construir prisões especiais em diversas cidades, com celas
individuais, contendo uma cama, latrina, escrivaninha e uma prateleira para livros
e objetos pessoais de aproximadamente 3,0 X 3,0 metros. Ambientes para o trabalho
e cursos, capela ecumênica, biblioteca e TV no refeitório. Sem academia, mas
com um pequeno campo de futebol. Disciplinas rígidas para os que quebrassem a
paz do local ou destruíssem patrimônio.
Outros itens e
pormenores poderiam ser acrescentados para que se possibilite a reeducação
comportamental e reinserção social, como a reconciliação com as famílias
vitimadas, terapias de grupo, cultos religiosos, visitas familiares ou íntimas para
os condenados de bom comportamento quinzenais, somente em caso de comprovação
de matrimônio ou de união estável e coisas semelhantes.
O objetivo de
tudo isso não é transformar a prisão em uma boa experiência para o condenado,
mas dar-lhe a certeza de que, mesmo tendo alguns direitos fundamentais como ser
humano, ele jamais terá sua pena reduzida e não sairá em liberdade ou terá
contato com a sociedade, sem que cumpra integralmente a sua pena. Espera-se também
com isso, mudar a perspectiva da mente que desejar praticar crimes no país.
Casos de reincidências
em crimes graves, deveria ser aplicado o mesmo processo, e, consequentemente, o
corpo do indivíduo seria devolvido aos familiares, se houverem, após a sua
morte para velório e sepultamento. Em havendo sucesso nestas ações, o mesmo
pode ser praticado em todas as outras modalidades de crimes. Não dizemos que
problemas e dificuldades deixarão de haver, porém, tudo vai sendo resolvido à
medida do tempo. Nada feito por nós é perfeito.
C.K. Carvalho
Teólogo, Cientista
Social e Ciberrepórter
[1] No momento deste artigo, a
expectativa de vida dos brasileiros é de 75,1 anos, segundo o IGBE. https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1174#resultado.
Acessado em 17/09/2019.
12 de ago. de 2015
O Comportamento Animal como Explicação do Comportamento Humano
Sempre que tenho oportunidade de
assistir algumas aulas de professores/doutores reconhecidos no Brasil, acontece
de a conversa ser direcionada para alguns setores do comportamento humano, e normalmente
vejo uma resposta que para mim tornou-se aquilo que chamo de “senso comum
acadêmico” (não considero isso algo benéfico).
Por exemplo, quando abordada a questão da fidelidade da
mulher ou do homem em relação ao outro, constantemente esses especialistas saem
com as narrativas de que no reino animal poucas espécies são fieis aos seus
parceiros, e, portanto, a fidelidade no universo dos animais é exceção e não a
regra.
A
ignorância e desonestidade intelectual são tamanhas nestes casos que fico sem
palavras. É óbvio que animais não sentem como nós sentimos; animais não
compreendem a traição amorosa; animais não são éticos nem morais; animais não
se reconhecem como casais e pais em nenhum nível de cognição humana, e o mais
importante, animais não têm sentimentos como os seres humanos – mesmo os que
mais se aproximam de nossos comportamentos, ainda assim, não desenvolveram
habilidades afetivas humanas – por mais que desejemos dar a eles uma aparente
ideia de sentimentos como experimentamos, isto não é verdadeiro para eles.
Por isso, tentar compatibilizar
ou justificar nossos desvarios, nossas traições, nossas taras, nossos pecados,
nossa falta de controle emocional e comportamental ou nossos desejos
incontrolados pelo viés da vida dos animais é nos bestializar, nos animalizar e
darwinismo de quinta categoria, é muito ridículo. Creio que nem o próprio
Darwin foi tão longe!
Carlos Carvalho
6 de ago. de 2015
23 de jul. de 2015
Economia Global
Este é o mapa que demonstra qual o percentual com que alguns países contribuem com a economia global. Nosso país representa 3,15% do total de negócios no mundo. Certamente estamos muito longe de sermos uma potência mundial neste quesito como já sabemos em outros.
14 de jul. de 2015
Vítimas
VÍTIMAS
Precisamos ter cuidado com certas
palavras que usamos e sermos bastante honestos intelectualmente, por exemplo, quando
dizemos que algumas pessoas são “vítimas” ao cometerem crimes.
A única condição em que uma
pessoa qualquer se torna vítima cometendo um homicídio é no ato de legítima
defesa. Não há outra possibilidade.
Carlos de
Carvalho
2 de jul. de 2015
O Adolescente em Conflito com a Lei e o ECA
Acabo de ler a Nota Técnica do
IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre o adolescente em conflito
com a Lei, no objetivo de contribuir mais agudamente com o debate sobre a
redução da maioridade penal no Brasil. O estudo foi conduzido por Enid Rocha A.
Silva e Raissa M. Oliveira, ambas muito capacitadas para a empreitada.
Algumas coisas me chamaram a
atenção no sentido de que realmente se deve ampliar e explanar muito mais e
largamente o assunto do menor infrator e as causas que os levam ao conflito com
a Lei, porém, outras me fizeram questionar certos modelos estruturantes na
forma como interpretamos os números apresentados, mas não opinarei sobre isso.
O que mais me chocou foi que as
pesquisadoras apresentaram uma informação que há muito me deixa intrigado sobre
as implementações das medidas socioeducativas de privação de liberdade nas
instituições para onde os adolescentes são enviados: desde o início dos anos
2000 se sabe que 71% das unidades não estavam adequadas às necessidades
pedagógicas do ECA (p.30) e que essas mesmas medidas sequer tenham sido
implementadas como preconiza na Constituição e no ECA (p.37).
O Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) foi criado em 1990, portanto já conta com 25 anos neste mês
de julho de 2015, e ainda se persiste os mesmos problemas de implementação das
suas medidas de acordo com o que o mesmo preconiza para “punir” os adolescentes
que cometem atos infracionais. Isto significa pelo menos duas coisas:
1) 25 anos depois, houve
pouquíssima evolução da situação, quase nenhuma vontade política para implantar
algo do porte do ECA em escala nacional e ineficientes políticas públicas para
criar os ambientes e espaços necessários para se verificar se as teorias
socioeducativas do ECA servem de fato para a diminuição da criminalidade entre
os mais novos e a eventual eliminação majoritária destes nas situações de
reincidência e iniciação aos atos análogos aos criminais.
2) 25 anos depois, parece que
descobrimos de maneira dolorosa, que o ECA foi criado para um país que não o
Brasil, dadas as impossibilidades de diversas ordens que percebemos. Este
Estatuto foi concebido num ambiente e nação que não possuía, na sua criação, e
nem o possui agora, as condições necessárias para a sua efetivação. Isto ainda
me diz que, em sendo assim, ele se constitui num dos grandes problemas (ou “gargalo”)
do próprio desejo de vencer a luta contra a criminalidade e a exposição dos
menores a ela na infância, pois, sendo gerado para um país sem a estrutura para
mantê-lo e aplicá-lo, continuará sem poder ser validado ou rejeitado, por não se
ter condições de estudá-lo na prática, e, talvez, nunca poderá ser alterado por
ser uma Lei associada aos direitos constitucionais. Em outras palavras, iremos
conviver por mais um longo tempo com um problema terrível e sem aparente
solução.
Carlos de
Carvalho
Cientista
Social e fundador da ONG ABAN Brasil
Fontes:
Nota Técnica Nº 20. IPEA. O Adolescente em Conflito com a Lei e o
Debate sobre a Redução da Maioridade Penal: esclarecimentos necessários. Enid
Rocha Andrade da Silva, Raissa Menezes de Oliveira. Brasília, junho de 2015.
Imagem: Menor Infrator. Disponível em: http://blame-001.deviantart.com/art/menor-infrator-244656767
27 de jun. de 2015
O RACISMO DOS ANTIRRACISTAS
O RACISMO DOS ANTIRRACISTAS
Carlos de Carvalho
Frequentemente vemos a discussão
sobre o racismo por parte dos que defendem ou dizem defender as vítimas mais
evidentes dele, os negros, é claro, como sendo algo de ordem de suas origens,
que está no passado ou pela condição social presente nas vidas dos mesmos.
Explico o que quero dizer.
Os dados obtidos pelas pesquisas
mais recentes apontam, por exemplo, que o encarceramento de pessoas negras e
sua morte se dão em números muitos superiores aos de outras raças, como por
exemplo, que o de brancos. Possuímos o quarto maior número de pessoas presas do
mundo, mas somente se levarmos em conta os encarcerados somados aos que estão em
prisão domiciliar[1].
Os dados da população prisional
de 2005 a 2012[2] segundo a cor/raça no
Brasil apontam que o encarceramento de negros é maior que o encarceramento de
brancos, e, neste mesmo estudo, o número de presos com escolaridade de ensino
fundamental incompleto é muito superior ao de outras escolaridades, até mesmo
que ao de analfabetos ou apenas alfabetizados.
Comumente, os defensores de certos
movimentos sociais desejam nos fazer acreditar, em primeiro lugar, que uma das
principais causas da criminalidade entre os nossos jovens é a falta do acesso à
escola ou de educação. Porém, ao analisar os dados que o próprio Governo
apresenta via Secretaria Nacional de Juventude e Secretaria de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial, mesmo que não sejam extensos, mostram que isso
não é uma realidade em princípio. Ou seja, se a escolaridade fosse uma causa
real, as pessoas com menos estudos deveriam ser mais propensas a cometer
crimes, mas ao olhar friamente os números das tabelas vemos que o índice de
analfabetos presos é de 5,4%, o de alfabetizados de 12,5% contra 45,3% de
pessoas com ensino fundamental incompleto. Semelhantemente, o número de pessoas
mais escolarizadas é menor no sistema prisional brasileiro. Os que detêm o ensino
superior são de 1,2% dos presos, os do ensino médio de 18,7% e os de ensino
fundamental completo são 12,2%. Isto já nos dá uma conclusão acentuada sobre a
questão: Não é a falta do acesso à escola e à educação que faz com que estas
pessoas cometam violações, nem tampouco a sua baixa escolaridade, mas os dados
nos afirmam, ao menos genericamente, que é a evasão escolar e a não
continuidade dos estudos que propiciam a entrada no crime neste quesito
analisado.
Em segundo lugar, quero me ater à
questão do negro, suas origens e histórico em nosso país. Sabemos do enorme
prejuízo cultural, social e familiar que a escravidão causou principalmente ao
negro no mundo e no Brasil e esta destruição, que hoje completou 127 anos, tem
consequências funestas para a sociedade negra em muitos aspectos de sua vida.
Da mesma forma, conhecemos os
resultados mais terríveis que os negros passaram desde a sua libertação[3].
Quando livres, não foram assessorados, auxiliados nem empoderados de recursos
básicos para a sua manutenção e desenvolvimento pessoal, criando um verdadeiro
exército de gente paupérrima, sem educação e sem direitos quase que da noite
para o dia. Óbvio que sem os recursos mais essenciais, o que viria seria
desastroso para eles. É importante notar que a herança deixada aos negros a
mais de um século não foi benéfica e precisaram esperar e, mais recentemente,
lutar por seus direitos em todos os países democráticos do chamado mundo livre.
Desde 1955, com o Movimento dos Direitos Civis dos Negros nos Estados Unidos
até a militância negra nos anos 2000, os negros ganharam mais efetivamente
direitos e lugar de destaque na sociedade e isso se acentua cada vez mais com políticas
afirmativas constantes por parte de nossa legislação[4].
Esta caminhada de afirmação e
busca do direito do negro em nosso país vai, ao menos em linhas gerais,
contrária à especulação por parte de certos defensores de movimentos raciais,
que advogam que outra causa principal de possuirmos uma população carcerária
maior de negros que de brancos é pelo histórico e pela herança da escravidão.
Desta forma, se utiliza da história ou do passado para explicar a causa da
criminalidade entre os negros, ou seja, ela é fruto da escravidão e,
posteriormente, da abolição mal feita. Culpa-se a história ou o passado pelos
problemas atuais. Isso não é novo nas mentes das pessoas, é muito comum no ser
humano. Procuramos pelo “bode expiatório” para os problemas mais agudos de uma
sociedade e sempre estará no outro, nunca em nós. A Psicologia chama isso de
“projeção”[5]. É
quando transferimos ou colocamos sobre o outro (neste caso o passado ou a
história) os nossos comportamentos indesejados como forma de defesa pessoal.
O que quero demonstrar com isso é
que foi precisamente por reconhecer que a história e a herança não lhes foram
favorável é que fez com que negros conscientes (e brancos também) lutassem para
alterar as circunstâncias a seu favor e conquistar os direitos e espaços que
sabiam que lhes pertenciam por dignidade pessoal e humana. Foi exatamente por
não aceitar a história e a herança deixada que fez com que negros se
levantassem para mudar seu destino e modificar para sempre a sua vida presente
e não o contrário. Olhar para o passado e culpá-lo pelo comportamento atual é
aceitar um destino e um presente imposto e tornar-se uma geração passiva que
nada fará para mudar sua condição. É certo que nenhum negro defenderia esse
pensamento, portanto, não podemos utilizar de argumento como este para
responder a um problema sério e grave de nossos dias.
Em terceiro e último lugar
atribuir à pobreza ou ao empobrecimento das pessoas uma das causas da
criminalidade ou do encarceramento é no mínimo uma desonestidade intelectual.
Desejo me explicar de duas formas: uma pela ética do povo e a outra pela
interpretação dos dados disponíveis.
A ética do povo. Pergunte a qualquer brasileiro ou brasileira de
qualquer camada social se ele ou ela aceita a ideia de que a pobreza é gerador
da criminalidade e a resposta será sempre um altissonante “não”. Nenhum adulto
brasileiro, pai ou mãe em nosso país concorda que ter nascido pobre é motivo
para que nossos filhos adentrem ao mundo do crime ou das infrações que vemos.
Sou branco, de origem pobre, com negros e descendentes de nativos na família, cresci
sem oportunidades de enriquecimento, sempre estudei em escolas públicas e meus
pais não tinham recursos para me mandar à escola particular. Nasci no Nordeste
(Bahia), no interior do estado e nem por isso fui incentivado a infringir a Lei
para ter alguma coisa. Sempre ouvíamos os nossos pais (todos nós) nos dizerem
que não “criaram filhos para fazer o errado” e que “éramos pobres, mas
honestos”. Isto é um fato perfeitamente observável em qualquer canto deste
país. Certamente, se temos uma inversão desta realidade, é porque alguma coisa
mudou na criação dos filhos e não na “pobreza” das pessoas.
Os dados. É sabido ao menos duas coisas hoje: 1) a maioria de nossa
população sempre foi pobre, e 2) melhoramos a distribuição de renda por
programas sociais. Vejamos como isso está posto nas pesquisas e dados que temos
disponíveis desde que a mensuração começou a ser feita mais precisamente.
Os dados apontam que em 1977 o
número de pobres e indigentes, todos com renda abaixo da linha da pobreza eram
de mais de 57 milhões de brasileiros e 10 anos depois, em 1988 esse número era
de mais de 71 milhões[6]. Para
se ter uma ideia de valores, um decreto de 2009 estabeleceu que seriam
consideradas extremamente pobres as famílias com renda mensal per capta (por
pessoa) de até R$ 70, e a linha da pobreza foi fixada em R$ 140 per capita. A
partir disso, à medida que o tempo foi passando, os governos foram criando
programas de distribuição de renda para mitigar a pobreza em seus níveis mais
cruéis. Com o advento do famoso Bolsa Família, criado em 2004, o Governo
alardeava que havia retirado da pobreza extrema 36 milhões de brasileiros na
comemoração de dez anos do plano[7]. O
Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) em 2014, no seu site, mostrava que a
pobreza extrema no Brasil, que considera as privações além da renda, caiu de
6,7% para 1,6% no período de 2004 a 2012[8]. Ora,
considerando a população atual de brasileiros que é de cerca de 204 milhões de
pessoas[9],
somente 1,6% equivale a mais de 3 milhões de pessoas sem considerar os pobres
que recebem o benefício que são na casa dos mais de 13 milhões segundo o mesmo
governo, que somam o total dos 36 milhões anunciados por causa dos integrantes
das famílias. Foi um gigantesco avanço nesta questão, não há o que questionar.
Aqui entra minha avaliação. Ainda
que seja profundamente imprecisa a avaliação do Governo que a classe média (a
nova classe C) seja composta por famílias com salários que variam de R$ 1.640,00
a 5.591,00, agigantando a classe média para mais de 91 milhões de brasileiros,
isso está bem distante das realidades estudadas por especialistas. Prefiro
ficar com os números na tabela de renda apresentados pelo IBGE em 2012[10]
quando o salário mínimo era de R$ 622,00. Faço um recorte e apresento apenas as
classes e a quantidade de salários mínimos que foram destinados a cada uma. Não
esqueçamos que os constantes na linha abaixo da pobreza não podem ser inseridos
nestas listas.
|
CLASSE
|
SALÁRIOS MÍNIMOS (SM)
|
|
A
|
Acima de 20 SM
|
|
B
|
10 a 20 SM
|
|
C
|
4 a 10 SM
|
|
D
|
2 a 4 SM
|
|
E
|
Até 2 SM
|
Como se vê
é muito mais complicado avaliar as questões de renda do que se imagina e
caracterizar pessoas como sendo de classe média, sem os padrões desta classe
historicamente percebidos, como por exemplo, hábito da leitura, alto grau de
escolaridade e com valores universais e gerais, somente levando em conta certo
padrão de rendimentos, não é algo inteligente, mas afunilar uma enorme massa de
pessoas tão diferentes entre si num modelo que beira a uma ilusão ou utopia
socialista.
Contudo,
enfatizo que houve grandes progressos nos rendimentos dos brasileiros nas
últimas décadas e isso já é suficiente para asseverar meu ponto de vista. Se a
renda de fato aumentou para as famílias menos favorecidas, e aumentou, então o
discurso de que a violência e o aumento da criminalidade se dá também por falta
de dinheiro ou pela pobreza cai por terra, pelo monos em grande parte. Este discurso
é derrubado pelos próprios dados apresentados pelo Governo atual que tem
preferência pelos pobres (no discurso) e vai no viés das políticas de
distribuição de renda.
Concluo dizendo
que a falta de acesso ou de continuação da educação pessoal, a história do
negro e de outras minorias, a herança que receberam dos dominadores do passado,
o hiperconsumo que marca a sociedade atual, a excessiva individualidade que
atenta para a vida em comunidade, o capitalismo sanguessuga e a condição social
na qual uma pessoa nasce não são suficientes para determinar a fonte da
criminalidade entre os mais jovens, principalmente entre os negros. A dinâmica
é muito mais ampla e mais profunda. Estas coisas são sim portas de entrada em
muitos casos, mas estão longe de serem as únicas.
Se, ao
mesmo tempo, como estudiosos e pessoas sensatas, não aumentarmos o alcance de
nossas lentes históricas e sociais e incluirmos outros fatores tão importantes
quanto os anteriores, como por exemplo: o tipo de criação na família que foi
sendo alterado até nossa atualidade, o próprio tipo de família que cada vez
mais se alarga para além dos limites de outrora, a contínua perda do pátrio
poder que foi substituído pelo poder familiar, a excessiva intromissão governamental
por meio de leis na vida familiar e no foro íntimo das pessoas, a contínua
exposição aos símbolos midiáticos que propagandeiam um estilo de vida que não é
comum e a destruição consciente da influência moral, dos valores e da ética
cristã na sociedade cada vez mais secularizada, não poderemos compreender
plenamente o caráter da violência e das infrações cometidas mais acentuadamente
nas últimas décadas, tantos pelos adultos, como pelos mais jovens em nosso
país.
Acredito
que isso pode ser chamado de “racismo dos antirracistas”, ou seja, aqueles que
defendem os direitos e movimentos de negros e das minorias encontraram um
discurso racista de culpa para justificar a culpa dos que estão em situação de
crime ou ato infracional. Não estou dizendo que todos pensem assim ou que os
fatos demonstrados pelas pesquisas sejam irreais, ao contrário, são bem reais.
Porém, encontrar “bodes expiatórios” para aqueles que cometem crimes é o mesmo
que apoiar e defender corruptos condenados por seus crimes em nome de uma
legenda partidária ou de uma ideologia de governo.
Os “fins
que justificam os meios” é a mesma coisa dos “meios que justificam os fins”.
Apenas trocamos “seis por meia dúzia” nesta história. Alterar a ordem dos
fatores nestes casos, não produzirá um resultado diferente do que já se vê.
Minimizar os nomes e conceitos somente para que pareçam mais aceitáveis e
palatáveis ou politicamente corretos, não faz com que a dura realidade deixe de
existir: crimes são cometidos por todas as faixas etárias a partir da
adolescência todos os dias em nosso país, isso é um fato sem questionamentos.
Ninguém em
sã consciência desejará viver e conviver numa sociedade de criminosos e de
gente que não é punida por seus crimes, não importando a idade com a qual os
cometam. Isto não significa, igualmente, que não se deseje a reinserção
daqueles que devem e podem ser recuperados se desejarem. Não acredito em
pessoas irrecuperáveis, acredito na vontade humana para mudar sua história. Se
a vontade não foi comprometida, há esperança.
Carlos de Carvalho
Cientista
Social e Teólogo formado pela Universidade Metodista de São Paulo
21 de junho
de 2015
© Todos os
direitos reservados.
[1]
Novo Diagnóstico de Pessoas Presas no Brasil 2014. Disponível em: http://www.cnj.jus.br/images/imprensa/pessoas_presas_no_brasil_final.pdf.
Acessado em 20/06/2015.
[2] Mapa
do Encarceramento: os jovens do Brasil. Disponível em: http://juventude.gov.br/articles/participatorio/0009/3230/mapa-encarceramento-jovens.pdf.
Acessado em 20/06/2015
[3]
O destino dos negros após a Abolição. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2673%3Acatid%3D28&Itemid=23.
Acessado em 20/06/2015.
[4]Movimento
Negro. Disponível em: http://negros-no-brasil.info/movimento-negro.html.
Acessado em 20/06/2015.
[5]Enciclopédia
de Psicologia Contemporânea: Dicionário Ilustrado de Psicologia. 5º volume.
Livraria Editora Iracema: São Paulo, 1981. p. 259.
[6]
Desigualdade e pobreza no Brasil:
retrato de uma estabilidade inaceitável. Revista Brasileira de Ciências
Sociais – vol.15. No.42, p.125. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbcsoc/v15n42/1741.
Acessado em 20/06/2015.
[7]Bolsa Família supera preconceitos e retira
36 milhões da miséria. Disponível em: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Bolsa-Familia-supera-preconceitos-e-retira-36-milhoes-da-miseria-/4/29394.
Acessado em 20/06/2015.
[8]Brasil
reduziu a pobreza em suas várias dimensões, revelou estudo do Banco Mundial. Disponível em:
http://www.mds.gov.br/saladeimprensa/noticias/2014/setembro/brasil-reduziu-a-pobreza-em-suas-varias-dimensoes-revelou-estudo-do-banco-mundial.
Acessado em 20/06/2015.
[9]População
do Brasil. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/. Acessado
em 20/06/2015, às 15h29m.
[10]Classes
Sociais no Brasil de Hoje. Disponível em: http://novo.fpabramo.org.br/sites/default/files/ed01-fpa-discute.pdf,
p.7. Acessado em 20/06/2015.
5 de jun. de 2015
Dinheiro
Todo o nosso sistema
invariavelmente e inalteravelmente está dependente do dinheiro, seja Real, Dólar,
Euro ou outra moeda. Tudo está, como numa imagem de DNA, intrínseco de forma tão
profunda em nossa sociedade humana, que é impossível prever qualquer outro
modelo econômico mais eficaz que este. Computamos tudo em termos de dinheiro:
Salários, benefícios e lucros.
Férias, compras e entretenimento.
Os percentuais de impostos se
transformam em dinheiro.
As marcas globais e locais se
movimentam em função dos valores.
A pesquisa em saúde, remédios e
vacinas são financiadas por investimentos em dinheiro.
O conhecimento adquirido ou
oferecido tem preço.
A comunicação universal é fundada
no lucro aos acionistas e investidores.
As ideias têm preço.
A inflação vista em percentuais é
na ponta ganho ou perdas de dinheiro.
A sonegação de impostos, a
informalidade e a pirataria são medidas em quanto de dinheiro os cofres
públicos deixam de arrecadar.
Os crimes como roubos, furtos,
pornografia geral, prostituição, venda de armas e drogas são dimensionados em
valores das moedas correntes.
As ações na internet, os uploads
e downloads, as propagandas, a própria conexão são feitas por pagamentos em
dinheiro.
As negociações diárias nas Bolsas
de Valores, presente ou futura, de manufatura ou tecnológica, mesmo usando
telas digitais, são finalizadas em valores.
As perdas por catástrofes
naturais, acidentes dos mais variados e danos estruturais causados por
terceiros são computados em dinheiro além do número das vítimas.
As indenizações por danos morais
(coisa subjetiva), por prejuízos causados ao patrimônio público ou privado (coisa
objetiva) e indenizações por dolo de qualquer natureza são valorizadas em
dinheiro.
O poder nas instituições humanas tem
o dinheiro no seu centro.
A lista é enorme, finita, mas
enorme. Apenas que cansei de tentar encontrar palavras mais atenuadas para a
ganância do ser humano e dos governos aos quais estamos subjugados. Como já
disse o apóstolo Paulo:
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de
males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos
com muitas dores.
I Timóteo 6.10
Aparentemente não podemos fugir completamente disso, não
podemos simplesmente optar por não usar o dinheiro ou por não trabalhar para
ganhá-lo, sem as consequências que isso gera, não deixaremos de fazer o bom uso
do dinheiro (se é que isto existe) e, ele, atualmente, é aquele “mal necessário”
a todos nós, porém não deixaremos de ver todos os dias, enquanto este sistema
persistir, os resultados que ele produz nas vidas de bilhões de pessoas no
planeta.
Carlos de Carvalho
Teólogo e
Cientista Social pela Universidade Metodista de São Paulo
Fundador da ONG ABAN
Brasil
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