20 de nov. de 2013


DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Este dia é celebrado desde 1960, mas foi instituído por lei em 10 de novembro de 2011 por Decreto de Lei n.12.519, pela Presidenta Dilma Roussef. Ele marca a lembrança da morte de Zumbi, em 1615, e assinala um dia de reflexão acerca da inserção do negro na sociedade brasileira. Da mesma forma, remete à memória da resistência à escravidão do negro desde que chegou ao Brasil.

Importante ressaltar que a reflexão sobre o negro e a sociedade brasileira tem se dado num contexto bem plural. Há uma tentativa de se refazer os passos e a história até as raízes e matrizes africanas e ao mesmo tempo manter uma forma de religiosidade que não faz parte do cotidiano da maioria dos negros no Brasil hoje, nem tampouco dos africanos atuais.

Paralelamente, há uma tentativa ingênua de se criar em cada local de tradição religiosa “africana”, uma espécie de embaixada de outra nação, onde não se pode inferir nem legislar acerca de suas ações ou conteúdos. Ao se tentar tocar nos assuntos, logo se levantam acusações de preconceito, racismo e intolerância, da mesma maneira como ocorre com certas minorias militantes no país.

Outro dado a prestar atenção é que no último Censo (2010)[1], menos da metade da população brasileira se declarava branca (91 milhões) e os que se declaravam pardos (mestiços), negros, amarelas e indígenas, chegavam quase a 100 milhões de pessoas. Isso é ímpar, pois o nosso país não é de maioria branca. O mesmo estudo afirma que somente 15 milhões se declaravam negros, portanto, também, uma minoria.

Na questão religiosa, o mesmo Censo demonstra que entre os declarados negros (15 milhões), apenas 21% disseram ser de religião afro-brasileira, isso significa que no total geral dos habitantes (levando em consideração somente os dados oficiais), 0,3% da população brasileira participa dessas manifestações religiosas. Levando-nos a inferir que nem os próprios negros no Brasil aderem às religiões das suas matrizes originais.

Não há uma religião natural no Brasil, todas são importadas, da mesma forma que não existe uma cultura nacional, pois todas as que possuímos também são importadas. A cultura indígena talvez seja a única que se caracteriza como natural, mas mesmo esta não se solidificou, obviamente por uma série de acontecimentos que lhe tolheu a própria existência, restando pouco em nossos dias a se preservar.

Portanto, de acordo com os dados da evolução populacional e a manifestação religiosa em nosso país, é certo concluir que em termos de religião ou cultura, tudo é mutável ou “migrável”, pois há uma enorme massa humana que vai se movendo entre as religiões com o passar do tempo. Religião e cultura no Brasil não é coisa de família e ancestralidade, mas de escolha pessoal. Isso deve ser respeitado e não se deve tentar impor modelos, mesmo sob la força da Lei.

Não devemos diferenciar negativamente as pessoas por causa da cor da sua pele ou de sua classe social. As diferenças sempre existirão entre as pessoas, mas é necessário que a regra áurea da humanidade seja o princípio norteador dos relacionamentos sociais. Tiago deixou escrito:

Se vós, contudo, cumprirdes a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, sem dúvida fazeis bem.
Mas se vos deixais levar por distinção de pessoas, cometeis pecado, sendo condenados pela lei como transgressores.
Tiago 2:8-9

© Carlos Carvalho
Teólogo e graduando em Ciências Sociais.
Fundador e Presidente da ONG ABAN-Brasil


Imagem: Pintura do artista alemão Johann Moritz Rugendas de negros jogando capoeira no Brasil. Disponível na internet.




[1]Censo Demográfico 2010: Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência. http://loja.ibge.gov.br/censo-demografico-2010-caracteristicas-gerais-da-populac-o-religi-o-e-pessoas-com-deficiencia.html

12 de nov. de 2013

Anotações sobre “Modernidade Reflexiva

                  Não apenas as ideias de Giddens[1] nos mostram um mundo em convulsão, mas todos os autores dessa linha de pensamento asseveram o mesmo: que ao final da modernidade, é comum fazer reflexões sobre o final dela. Todas as sensações emocionais descritas como: desesperança, confusão, incertezas e desilusões de um mundo melhor prometido que não aconteceu, envolvem a mente de todos.
      
            A ciência e a tecnologia desenvolveram, alcançaram patamares surpreendentes, todavia a prosperidade social não aconteceu e o ser humano na busca de sua felicidade, pelas promessas dos avanços científicos, ainda não logrou êxito em achar o “caminho da felicidade”.  Agora este homem desconstrói diariamente seu mundo e seus conceitos, na tentativa de encontrar significado após não tê-lo reconhecido no próprio mundo.

                  Vitima de suas contradições, o ser humano transita entre dois mundos: o moderno que se vai e o pós-moderno que ele não sabe se está. Se a pós-modernidade é o novo, o homem se debate e se revolve entre os lençóis do velho mundo moderno, procurando vestes de cama nova, onde possa se deitar. Nisto, encontramos a máxima antiga: “remendo velho em pano novo”, onde a presença de uma coisa nova, que não se sabe bem o que é, faz frente e resistência ao antigo.

                  “Admirável mundo novo”, sempre velho, presente, confuso e indesejável. Como diria o comediante mexicano no papel de “Chapolin Colorado”[2]: “Quem poderá nos ajudar?”.       

Carlos Carvalho
Walckiria Alexandre
Ricardo Carriço




[1] Anthony Giddens é sociólogo britânico, (1938-). Reflexões a partir do artigo de Maria da Silva: As Inquietações da Modernidade.  Pode ser encontrado disponível em: http://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/viewFile/37/40

[2] El Chapulín Colorado (intitulado Chapolin no Brasil) é uma série de televisão mexicana do gênero comédia. Criado e interpretado pelo ator e escritor Roberto Gómez Bolaños nos anos 70.

6 de nov. de 2013


O Natal Venezuelano

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou o dia 1 de novembro como a antecipação da comemoração do Natal, com a finalidade de produzir a “felicidade para todo o povo”. Visitou a Feira Natalina Socialista 2013, organizada em Caracas, cantou músicas natalinas tradicionais do país e interagiu com os presentes.

Recentemente ele também criou o Vice-Ministério para a Suprema Felicidade Social do Povo, muito criticado inclusive internamente com zombarias e críticas em sua nação e além dela. São atos bem diferentes para um governante, somente para não dizer que beira à infantilidade e a falta de coerência mental.

É fato conhecido por estudiosos do assunto que o Natal não era comemorado pelos cristãos primitivos e somente no final do século IV, temos informações que o nascimento de Cristo era comemorado nas igrejas em geral, mas com diferenças gritantes de datas, pois não era algo significativo e de grande impacto para eles.

As datas variavam entre 2 de janeiro, 18 de abril, 19 de abril, 20 de maio e 25 de dezembro. Por fim, 25 de dezembro se tornou a data oficialmente reconhecida para o Natal. Sabemos que isso era a alternativa da Igreja para contrapor às festividades pagãs, porque a data coincidia com a Saturnália e o solstício de inverno, onde o deus-sol (Sol Invictus) era adorado.

A data tornou-se oficial após um decreto do Papa Júlio I (300-352), de quem não se sabe quase nada, como é costumeiro das informações dos primeiros séculos dada pelo Catolicismo, em 350 d.C., que determinou a substituição da veneração ao deus sol pela comemoração da data do nascimento de Jesus, o Salvador.

Independente da problemática teológica e histórica sobre o Natal e do calendário que usamos na maioria do mundo atual, fazer atos por decretos presidenciais em que se alteram coisas seculares é ir um pouco além de governar um país e um povo. Um ato como esse, com as desculpas da “felicidade para o povo” e de cunho “socialista”, creio eu, não passou nem pela cabeça de Hugo Chávez.
Se a moda pega...

© Carlos Carvalho

Referências;

Maduro decreta Natal antecipado na Venezuela.  Disponível em: http://oglobo.globo.com/mundo/maduro-decreta-natal-antecipado-na-venezuela-10678222
Catholic Encyclopedia (1913) / Pope St. Julius I. Disponível em:
 http://en.wikisource.org/wiki/Catholic_Encyclopedia_(1913)/Pope_St._Julius_I
Natal. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vol.III, N-Z. São Paulo: Vida Nova, 1990. p.9.


28 de out. de 2013


Estado & Liberdade – às vezes são incompatíveis!

Tenho diante de meus olhos a famosa Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, promulgada pela França, que em ato, dizia que “a ignorância, o esquecimento e o desprezo aos direitos do homem, são as únicas causas das desgraças públicas e da corrupção dos Governos”. Naquela época, a Assembleia francesa proclamava essas palavras que ultrapassaram os séculos: “na presença e sob os auspícios do Ser Supremo”, e hoje, 224 anos depois, a França manifesta a Carta de Laicidade, que são 15 “mandamentos” que devem ser o lastro da educação em suas escolas públicas, retirando delas a “presença” do Ser Supremo.

Em matéria da Carta Capital, n.767, de 25 de setembro deste ano[1], quem a escreveu declara que na contramão de países “contaminados, em sua vida política e social, por uma visível atmosfera carola, quase teocrática”, a França mais uma vez surpreende gerando essa Carta de Laicidade, que segundo o mesmo escritor, “faz jus à tradição de liberdade e igualdade”. A tentativa francesa é de mais uma vez, separar claramente o Estado da religião, proclamando sua laicidade. Isso é louvável em certos aspectos, desde que no afã de se fazer isso, não violente a própria liberdade defendida.

Claro que a Carta de Laicidade difere da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, porque uma é nacional, promulgada como base fundamental de um Estado independente e a outra se destina a fins mais restritos do ambiente escolar público, todavia é preciso pensar um pouco mais sobre o assunto, porque com a boa intenção de construir um caminho de igualdade entre os homens, iniciando infância e na escola, pode-se estar cerceando na escola e na infância (ambientes naturais da formação do próprio homem), seus direitos mais básicos de expressão de sua identidade que claramente não é formada na escola. Pensemos em alguns pontos.

Primeiro – a Carta diz que a França é uma república democrática e social que respeita todas as crenças – se isso fosse verdadeiro, de início não seria necessário que essa Carta fosse promulgada, pois ela vai diretamente contra e exatamente na direção das crenças religiosas e, portanto, nega a Democracia (como fim último ela deveria prover as condições para o pleno e livre desenvolvimento das capacidades humanas essenciais de todos os membros da sociedade[2]) e nega o fato social, pois vê o Estado somente como uma máquina que representa uma nação de direito, mas esquece-se que o Estado é composto por todos os cidadãos que nele estão e participam, pois “todo o poder emana do povo”[3].

Segundo – é correto que a Carta faça menção da separação entre Estado e religião, pois o Estado não advoga religião pessoal, ao menos em tese não deveria, mas isso não significa que as pessoas que dão existência ao Estado (sem pessoas não há Estado) não possuam crença religiosa. É incoerente que um Estado que não tenha crença religiosa, diga a seu povo (que lhe dá origem e legitimidade) que esse Estado (gerido por pessoas, porque as leis não têm vida própria, precisam de intérpretes e executores), dite as regras da própria manifestação pessoal das crenças. Isso não é liberdade, nem tampouco igualdade, é uma tremenda imposição à moda de governos monárquicos medievais e tirânicos.

Terceiro – a Carta menciona que qualquer um é livre para crer ou não crer. Isso é maravilhoso, pois a liberdade de consciência, o respeito a todas as crenças e a liberdade de expressão dos alunos está garantida, em tese, pois o mesmo texto veta aos alunos “livres” a “invocação de uma convicção religiosa para contestar uma questão do programa”, “não quebrar as regras da escola invocando filiação religiosa”, proibindo “portar signos ou objetos com os quais os alunos manifestem ostensivamente suas filiações religiosas” e obrigando os professores a transmitir aos alunos o “sentido e os valores do laicismo”, sendo “estritamente neutros”. Alguém realmente considera que isso é liberdade, igualdade e Democracia?

Quarto – um Estado que pensa que, pelo fato de ser parcialmente responsável pela educação de seu povo e não percebe que a educação se estende para além das escolas públicas, está equivocado em seus conceitos. A educação não se dá somente nas escolas públicas, mas também nas privadas, nas escolas confessionais, na casa, na família, na tradição religiosa na qual o aluno nasceu, na instituição religiosa ou culto do qual participa, nas redes sociais, na televisão, no ambiente de trabalho, portanto, fora do ambiente formal da escola numa porcentagem maior do que neste. Educação é também definida como “uma busca permanente de si mesmo” e que o homem “é o sujeito de sua própria educação. Não pode ser o objeto dela. Por isso ninguém o educa”, mas ela é feita na “comunhão com outras consciências”, como Paulo Freire afirma[4]. Por isso a Carta também nega a essência da Educação.

Quinto – em último lugar, é óbvio que não sou francês, não moro no país e não vivo a extensão da problemática ateísta, secular e religiosa que caracteriza essa nação e, portanto, não poderia opinar sobre os temas com 100% de precisão, mas como observador externo e também vivendo num país como o nosso, envolto com problemas parecidos, embora diferentes na expressão cotidiana, posso tecer comentários. Uma Democracia que não respeita a pluralidade de seus cidadãos, mas impõe regras a essa pluralidade com a desculpa de ordem social, mais parece com outra coisa, e não uma Democracia. Um Estado que recebeu do povo o seu poder e legitimidade, porém atenta contra os direitos básicos de seus cidadãos legítimos, não é um Estado pleno, mas uma sombra de Estado. Um governo que pensa que a educação de seus cidadãos passa por ele, sem a intervenção da consciência de outros, da família, da vida em sociedade e de todos os demais ambientes que formam o indivíduo, é autoritário em desmedida.

Portanto, a Carta de Laicidade não me parece um avanço na tradição de liberdade e igualdade francesa, mas um retrocesso, dada a dimensão da pluralidade das crenças religiosas, da quantidade dos ambientes formadores da educação do homem e da extensão da vida social que cada nação possui em si mesma.

© Carlos Carvalho





[1] p.80
[2] Noberto Bobbio – Dicionário de Política, p. 329
[3] Parágrafo único, art. 1º da Constituição da República Federativa do Brasil
[4] Educação e Mudança. Paulo Freire. Paz e Terra. 12ª. edição. Biblioteca Central da UFPB.

16 de out. de 2013


HISTÓRIA RECENTE DA AMÉRICA LATINA – AUTORITARISMO E RETORNO À DEMOCRACIA - CHILE

De fato a América Latina tem experimentado grandes mudanças, ora algumas que parecem distorcer o espírito da democracia, como alguns “aparentes desmandos” que rondam o governo argentino na atualidade, ora mudanças que alteram definitivamente o cenário dos países, como quando da libertação das tiranias nas décadas passadas.

Não é diferente no Chile, país que Faz fronteira ao norte com o Peru, a nordeste com a Bolívia, a leste com a Argentina e um dos dois únicos países da América do Sul que não tem uma fronteira comum com o Brasil. Atualmente, o Chile é um dos países mais estáveis e prósperos da América do Sul. Dentro do contexto maior da América Latina, é o melhor em termos de desenvolvimento humano, competitividade, qualidade de vida, estabilidade política, globalização, liberdade econômica, baixa percepção de corrupção e índices comparativamente baixos de pobreza. Também é elevado o nível regional de liberdade de imprensa e de desenvolvimento democrático[1].

Em sua recente história, seu longo período democrático (de 1932-1973)[2] foi brutalmente cortado no golpe de estado de 1973, do general Augusto Pinochet, que derrubou o então presidente eleito democraticamente Salvador Allende, que se suicidou ao final do golpe no Palácio da Moneda, sede do governo chileno. A ditadura no Chile durou 17 anos e findou-se em 1990 após o plebiscito nacional de 88 no qual o povo decidiu por novas eleições e pelo fim do regime ditatorial.

No decurso deste regime, mais de 3.000 pessoas foram executadas e mais de 30.000 foram torturadas na sangrenta troca do poder que se deu em solo chileno. Mesmo com o processo de redemocratização iniciado, o Chile ainda sofria com uma democracia protegida com a Constituição de 1980 que dava proteção aos militares e indulgência de não serem julgados ou punidos pelos atos da ditadura. Mas nos últimos anos, os tribunais do Chile não aplicaram a lei de anistia.

Em 1991, o Informe da Comissão Nacional de Verdade e Conciliação (Comissão Rettig) documentou 2.296 casos de pessoas que haviam sido vítimas de homicídio político, dos quais quase mil eram casos de desaparecimento forçado. Em 2004 e 2005, o informe da Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura (Comissão Valech) apurou que 28.459 pessoas haviam sido detidas por motivos políticos e que a maioria delas havia sido torturada. A Comissão foi reaberta em 2010 para avaliar mais casos de desaparecimento forçado, homicídio político, encarceramento por motivos políticos e tortura[3].

Os avanços do país nas últimas décadas também mostram suas insuficiências e contradições. O movimento estudantil pôs o dedo na ferida aberta por expectativas que o progresso chileno criou, mas não se mostrou capaz até aqui de atender. O ponto politicamente mais sensível está num sistema de educação superior que obriga os alunos a assumir dívidas para financiar seus estudos, mas não os capacita para obter empregos com salários que permitam pagar o empréstimo contraído[4].

Assim vemos o Chile, mas certamente seu povo o vê de maneira diferente. Um país que lutou bravamente e mesmo contra as leis impostas pela ditadura após a ditadura em sua Constituição, que disse “Não” ao regime militar assassino de seus cidadãos, que disse “Sim” à Democracia, mesmo em meio a dor e ao sofrimento, um povo que espera que a justiça seja feita aos criminosos de seu anterior regime, mas que ainda luta pelos Direitos Humanos das famílias vitimadas e por uma educação de qualidade e gratuita a todos, não uma educação “vendida” pelas privatizações de seu sistema educacional.

© Carlos Carvalho





[1] Dado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Chile
[4] http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,chile-entre-o--passado-e-o-futuro-,1082866,0.htm

30 de set. de 2013

Roubos & Lucros

Estava comprando a revista Carta Capital em uma banca de jornal do centro de minha cidade atual e, enquanto me dirigia para fazer o pagamento, passava em uma TV no local, um assalto quase que cinematográfico a dois carros-fortes que havia acontecido na Rodovia Anhanguera há alguns meses atrás.

Não sabia do que se tratava a reportagem no momento, mas impressionou a todos s que estavam na banca a ousadia e as cenas de explosões e tiros. Ao final, a voz do repórter dizia que os bandidos tinham conseguido fugir com cerca de 7 milhões de reais dos carros-fortes.

Ao falar com a jovem que me atendeu, como qualquer brasileiro, comentamos o ocorrido, e ela considerou que achava “legal” o fato dos criminosos terem fugido sem serem pegos, que assim estava bom, pelo menos. Disse-lhe que ela não fazia ideia do que estava falando, pois no final, todos nós pagamos por tudo isso.

Acredito que ela tenha considerado “legal” o fato da fuga dos bandidos, por se tratar de dinheiro dos bancos e não o dela. Isso é comum na maioria das pessoas sem informação. Elas acham que esse tipo de ação nada tem a ver com elas, e, contanto que não sejam elas as roubadas, não há problemas.

Desconhecem o fato que o sistema bancário tem seguro contra esse tipo de situação, e o pior, mal sabem que nós todos, os que temos uma conta bancária, iremos depois pagar por todo esse “prejuízo” com as taxas inúmeras, os valores sobre os serviços, os contratos que lesam o cidadão, com as altas taxas de juros cobradas de todos os correntistas.

Ela, e parece que a maioria dos brasileiros não sabe, que não vemos nenhuma notícia de nenhum banco reclamando dos assaltos, dos furtos, das explosões dos caixas eletrônicos e jamais se perguntaram o porquê disso. Os bancos de fato não tomam nenhum prejuízo real com nada do que acontece com o dinheiro e o povo não sabe por quê.

Será possível que não sabem que esse dinheiro é nosso, de todos os que possuem conta e poupança nos bancos e eles apenas o usam para emprestar a juros altos a outras pessoas e ganhar mais dinheiro? Portanto, nenhum banco está de fato, em última instância, preocupado com o destino do dinheiro que é roubado. Eles o terão de volta cobrando de nós.

Em 2012, o lucro real dos bancos no Brasil ultrapassou a casa dos 45 bilhões de reais, mesmo que tenha sido um pouco inferior ao dos anos anteriores. Esse lucro diminuiu em 2012, após 16 anos de lucratividade positiva. É uma festa para os acionistas e seus donos. O lucro é o resultado esperado de qualquer negócio, mas o tipo de lucratividade que têm os bancos no Brasil é um assalto ao bolso dos brasileiros e isso com a permissão de nossos governantes.

Mais tarde um pouco, em uma borracharia da cidade, me inteirei de que aquela notícia que vi pela manhã era uma reprise das cenas veiculadas meses atrás e estava passando porque os assaltantes daquele caso haviam sido presos pela polícia. Confesso que gostaria de ter voltado à banca e perguntado à jovem o que ela diria sobre isso.

© Carlos Carvalho

Fontes:

Lucro de grandes bancos privados recua em 2012. Disponível em: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=116192


Lucro consolidado de BB, Bradesco e Itaú tem 1ª queda em 16 anos. Em: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1240356-queda-na-lucratividade-de-bancos-em-2012-foi-a-primeira-em-15-anos-diz-consultoria.shtml

27 de set. de 2013


Seminário Internacional de Educação em Guarulhos

27 de setembro de 2013

  
Nesta manhã, nas apresentações dos dados e números do universo da TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) nas escolas, feitas pelos representantes do Peru, da Argentina, de São Bernardo do Campo e do MEC, fiquei impressionado com a dimensão e o tamanho do trabalho que têm sido realizados nas escolas públicas e com o que ainda precisa ser feito.

Muitas vezes, ao criticar os órgãos governamentais e a qualidade do ensino público, passa-se desapercebidos os desafios, os problemas e as circunstâncias do universo envolvido de uma nação e o quanto é laborioso o trabalho de educar. Educar ou fazer uma educação de qualidade e gratuita é um esforço colossal.

É preciso, claro, melhorar e criar processos contínuos de melhoramento do sistema, da qualidade do ensino, dos conteúdos e do aperfeiçoamento continuado dos professores/educadores, mas não se deve esquecer o longo processo e a longa jornada até aqui e tudo quanto já foi realizado e está sendo feito.

Sou grato pela escola pública, sou fruto dela e com maravilhosas lembranças. Grato aos meus queridos professores de meu primeiro e segundo graus (como se chamava em minha época). Grato aos meus alfabetizadores, incluindo minha tia Luci, professora municipal. Quem de nós, não gostaria que o mesmo espírito escolar de nossa geração fosse visto ainda hoje, guardadas as devidas proporções?

De minha parte, comprometo-me a lutar e trabalhar por uma educação plena que crie uma real e verdadeira transformação na sociedade, começando na transformação interior de cada brasileiro.


Carlos Carvalho