19 de fev. de 2014


SÃO PAULO DOS PEDÁGIOS

É impressionante, para não dizer assustadora, a quantidade de pontos de pedágio no Estado de São Paulo. É, sem dúvida, um dos lugares do mundo com mais pedágios. Parece que o nosso país não deseja ser conhecido por esta grandeza global[1], mas é uma realidade inquestionável. 

Está diante dos meus olhos o caderno “Jornal do Carro”, do periódico O Estado de São Paulo (Estadão), e na página 6[2] apresenta o mapa dos pedágios das principais rodovias do estado paulista. Se as praças estão todas representadas neste mapa, são 147 pontos (se não errei a conta), com valores que vão desde R$ 1,50 a R$ 21,20.

Em uma situação fictícia, se somente um carro passasse por todos estes pedágios em um dia, o motorista teria desembolsado cerca de R$ 797,00, muito mais que um salário mínimo, que é de R$ 724,00, isso não incluindo as despesas com combustível. Vale lembrar que em alguns desses casos está somente contabilizada a viagem de ida.

É uma verdadeira máquina de fazer dinheiro, sem contar que atenta contra o direito constitucional de ir e vir que nos é assegurado[3]. Um cidadão não andará a pé ou de bicicleta pelas principais rodovias em certos pontos, como nos túneis, sem ser abordado ou proibido de se locomover por elas e, mesmo que a concessionária emita um boleto instantâneo para que paguemos posteriormente, se não o fizermos, receberemos multa por evasão de pedágio no valor de R$ 127,69.

Então, caso você não possua DINHEIRO, talvez não consiga sair da grande São Paulo para visitar um parente ou ir a outro estado ver seus pais. Se conseguir a proeza de sair sem pagar os pedágios, é possível que não volte por deixar de pagá-los. Não pagando a multa que virá não poderá licenciar seu veículo, por conseguinte não poderá dirigi-lo. Só de carona ou de ônibus conseguirá viajar, mas para isso precisará novamente de...DINHEIRO.

Enviei aos meus amigos o texto e um deles me respondeu:

“O Governo constrói as estradas e depois entrega a estrutura já pronta nas mãos da iniciativa privada que na verdade é quem vai desfrutar do lucro exorbitante através do preço das praças de pedágio que em sua maioria prevalece o domínio do capital estrangeiro, o quintal para eles é enorme afinal eles não vão pagar nada é tudo ¨free¨. Vamos embora dar lugar pro gringo entrar, esse imóvel tá pra alugar!”


Carlos Carvalho
Colaborou: Ricardo Carriço

18 de fevereiro de 2014




[1]Brasil lidera o ranking das rodovias com pedágio no mundo. Disponível em: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,brasil-lidera-o-ranking-das-rodovias-com-pedagio-no-mundo,123837,0.htm

[2]O Estado de São Paulo  Jornal do Carro. 16 de fevereiro de 2014.

[3]Constituição da República Federativa do Brasil. Parágrafo XV.  

6 de fev. de 2014


DISPARIDADES FRANCESAS

Para não falar somente do Brasil, quero apontar em direção à França. Esse país ovacionado por alguns pensadores e também por jornais e mídia em geral pela maneira como encara a laicidade de seu Estado, proibindo até mesmo que meninas mulçumanas usem seus véus (burca e niqab) nas escolas desde 2010[1] e que recentemente lançou sua Carta de Laicidade[2], defendendo a posição de uma república que permite a expressão religiosa particular, mas proíbe a sua manifestação pública (um tremendo contrassenso), tem em seu território grandes extremos inexplicáveis.

O país vive uma verdadeira “epidemia” de suicídio entre os seus adolescentes e jovens que parece ao mesmo tempo, não ter claros os indícios das causas e motivações, e que demonstra piorar a cada década[3], fazendo com que os profissionais da saúde franceses se mobilizem para encontrar uma saída. É exatamente o grupo que está no período de estudos escolares que tem manifestado a intenção de suicidar-se. Isto indica que não é a laicidade a resposta para um Estado livre desses males, mas talvez o contrário.

Paralelo a isso, acontece o outro extremo: certas aberrações judiciais. Um homem foi condenado na França a um ano de prisão em regime fechado por ter torturado um gato[4]. O cidadão foi filmado arremessando várias vezes um gato contra um muro na rua. É claro que somos contra qualquer tipo de violência contra animais e pessoas, mas isso também parece um enorme contrassenso. A França não sabe lidar com a onda de suicídio que assola os seus adolescentes (principalmente meninas), mas consegue legislar a condenação de alguém que torturou um gato? (O gato está vivo!).

Será possível que a França perdeu o mapa do caminho?

Carlos Carvalho
6 de fevereiro de 2014





[1] Senado da França proíbe o uso de véus islâmicos em público. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/09/100914_france_burca_mdb.shtml

[2]A “Carta de Laicidade” francesa. Disponível em: http://www.laicidade.org/2013/10/09/a-%C2%ABcarta-da-laicidade%C2%BB-francesa/

[3] Uma a cada cinco adolescentes francesas já tentou se matar, diz estudo. Disponível em: http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/uma-a-cada-cinco-adolescentes-francesas-ja-tentou-se-matar-diz-estudo,58f8c37340204410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

[4] Francês condenado por torturar gato diz ter sido 'idiota'. Disponível em: http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/frances-condenado-por-torturar-gato-diz-ter-sido idiota,2ea338bc18ef3410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html


1 de fev. de 2014


O SUICÍDIO – Um problema que permanece

O suicídio tem sido um problema sério nos últimos anos, principalmente no Brasil, onde registrou um aumento alarmante, isso porque nosso país não possui uma “cultura” de suicídio como em outras nações. Durante a história humana até os nossos dias o suicídio foi e é tratado basicamente de três maneiras em sua cosmovisão social: glorificado como ato heroico e libertário, como uma fuga existencial e, mais recentemente como uma doença psiquiátrica.

É uma das primeiras causas de morte em homens jovens nos países desenvolvidos e emergentes. Mata 26 brasileiros por dia. No Brasil, a taxa de suicídio entre adolescentes e jovens aumentou pelo menos 30% nos últimos 25 anos. Veja o quadro abaixo:

  
É importante notar que algumas causas principais já foram apontadas até aqui pelo estudo ou observação dos casos. As pessoas podem tentar ou cometer suicídio por diversos motivos, entre eles estão:
·         Numa tentativa de se livrarem de uma situação de extrema aflição, para a qual acham que não há solução.
·         Por estarem num estado psicótico, isto é, fora da realidade.
·         Por se acharem perseguidas, sem alternativa de fuga.
·         Por se acharem deprimidas, achando que a vida não vale a pena.
·         Por terem uma doença física incurável e se acharem desesperançados com sua situação.
·         Por serem portadores de um transtorno de personalidade e atentarem contra a vida num impulso de raiva ou para chamar a atenção.

Existem também até o momento certos indicadores de risco, mesmo que, de forma geral, o suicídio não pode ser previsto. Eis alguns deles:
·         Tentativa anterior ou fantasias de suicídio.
·         Disponibilidade de meios para o suicídio.
·         Ideias de suicídio abertamente faladas.
·         Preparação de um testamento.
·         Luto pela perda de alguém próximo.
·         História de suicídio na família.
·         Pessimismo ou falta de esperança, entre outras.

Pessoas que apresentem tais indicadores devem ser observadas mais atentamente. Entretanto não se pode ter certeza alguma a respeito, pois a ideia de morrer pode mudar na mente da pessoa, de um momento para outro.

Para Émile Durkheim (1858-1917), considerado o pai da Sociologia moderna, que estudou os casos de suicídio na Europa no período que compreendeu os dados disponíveis entre 1841 a 1890 aproximadamente, as sociedades doméstica, religiosa e política são fortemente integradas em suas estruturas. Essa integração dá sentido à vida do indivíduo nas sociedades. Quando esta sociedade perde a capacidade de dar a essa pessoa esse sentido, então ela se vê desamparada moralmente e se inicia o processo de desintegração social. O suicídio acontece, então, porque a pessoa não está mais conectada aos laços sociais.

Em todos os casos de estudados até o momento, tudo parece indicar que o suicídio corresponde, exceto nos casos de grave doença mental, uma imposição brutal de fatores sociais que impelem os indivíduos a cometerem o ato. Então, o suicídio é, nestes casos, causado por fatores externos, mas profundamente arraigados no emocional da pessoa progressivamente à medida que esses desconstrutores do sentido da vida vão agindo em seu interior.

Embora devamos levar em consideração os causadores principais do suicídio nos três aspectos principais, o ato heroico (dar a vida por causa de outrem), a doença mental ou a fuga, neste último caso, a decisão de dar cabo à própria vida é um ato de desespero tão grande e de rompimento com a realidade que é entristecedor ver que essa cruel realidade ainda acontece. Foi Jesus quem nos ensinou sobre o valor da vida sobre todas as outras coisas:

A vida é mais importante do que a comida, e o corpo, mais do que as roupas.
Lucas 12:23 (NVI)

Carlos Carvalho

Referências:

Taxa de suicídio entre jovens cresce 30% em 25 anos no Brasil. Folha de São Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/06/1292216-para-cineasta-que-fez-filme-sobre-suicidio-da-irma-desinformacao-leva-a-tragedia.shtml
Taxa de suicídio no mundo. UNESP 2010. Pdf. http://www.unesp.br/aci_ses/revista_unespciencia/acervo/13/com-saida.

Suicídio. ABC da Saúde. http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?401#ixzz2q2onrrdQ

22 de jan. de 2014



O Vírus Corruptus


É estarrecedor e profundamente preocupante a forma como o vírus da corrupção age em seus infectados:

A pessoa é acusada, não perde os seus direitos, responde ao julgamento em liberdade, tem amplo direito de defesa em todas as instâncias, é julgado e condenado por um colegiado de juízes, só assim é comutada a sua pena e, mesmo após isso, vai cumprir sua sentença agindo e considerando-se um inocente.

Esta é uma doença poderosa!


Carlos Carvalho
Janeiro 2014

8 de jan. de 2014


Número de cristãos mortos por causa da fé dobra em 2013

Os relatos sobre cristãos mortos ao redor do mundo por causa de sua fé duplicaram em 2013, comparado com o ano anterior, com os casos somente na Síria superando o total registrado em 2012, de acordo com uma pesquisa anual.

O Portas Abertas, um grupo sem denominação que presta apoio a cristãos perseguidos ao redor do mundo, disse nesta quarta-feira ter documentado 2.123 homicídios de "mártires", comparado com 1.201 em 2012. Houve 1.213 mortes desse tipo somente na Síria no ano passado, afirmou a entidade.
"Essa é uma contagem bastante mínima baseada no que foi relatado na mídia e que podemos confirmar", disse Frans Veerman, diretor de pesquisas para a Portas Abertas. Estimativas de outros grupos cristãos colocam a contagem anual em 8.000.

O Portas Abertas colocou a Coreia do Norte no topo de sua lista de 50 países mais perigosos para cristãos, posição que o nação asiática ocupa desde que a pesquisa anual começou a ser realizada há 12 anos. Somália, Síria, Iraque e Afeganistão vêm a seguir.

O grupo sediado nos Estados Unidos relatou um aumento da violência contra cristãos na África e afirmou que muçulmanos radicais foram a principal fonte de perseguição em 36 dos países que estão na lista.

"O extremismo islâmico é o pior perseguidor da Igreja mundial", disse a entidade. Cerca de 10% dos sírios são cristãos. Muitos se tornaram alvos de rebeldes islâmicos que os consideram apoiadores do presidente Bashar al-Assad.

O relatório não traz dados sobre assassinatos na Coreia do Norte, mas diz que lá os cristãos enfrentam "a mais alta pressão imaginável" e que cerca de 50 mil a 70 mil vivem em campos para presos políticos.

Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/01/1394847-numero-de-cristaos-mortos-por-causa-da-fe-dobra-em-2013-diz-relatorio.shtml

7 de jan. de 2014


SISTEMA FALHO

Um adolescente não pode exercer trabalho a não ser que seja um menor aprendiz, trabalhe menos e ganhe menos por isso. Adolescente é considerado alguém em fase de desenvolvimento e em idade entre 12 e 18 anos. Para nosso sistema, um adolescente é um ser improdutivo que tem “direitos” como o de estudar, ir e vir, brincar, divertir-se, ter cultura e arte, mas nenhum “dever” social ou cívico.

No outro extremo está o lado oposto do sistema (como aquele simbolismo do bem e do mal) que vê nestes adolescentes a garantia da imputabilidade de crimes que, cometidos por adultos, seriam tratados severamente pelo Código Penal. Estes menores são uma “força de trabalho” nas periferias, são iniciados na criminalidade sem reservas morais e ensinados a mentir a seus pais e responsáveis dizendo que estão trabalhando com um amigo ou em algum outro local fazendo “bicos”.

Esses meninos são considerados aptos pelo crime organizado para exercer funções até de gerência do tráfico. Conhecem seus “direitos”, sabem que não têm deveres, atiram sem pestanejar, ameaçam prontamente, atuam com violência brutal, mas são considerados seres que não estão em seu pleno discernimento. Nenhum cidadão consciente é favorável à escravidão em qualquer nível e muito menos de crianças, mas em nome de um discurso de não escravidão, não se pode ocultar os graves problemas sociais que vivemos.

            Os noticiários diariamente nos mostram a verdadeira face deste gigantesco buraco. Não há um dia sequer que não se veicule notícia relacionada com algum crime cometido por um menor. Até quando a sociedade e o sistema não perceberão o caos que está crescendo como uma bola de neve prestes a explodir em nossa face? Precisamos discutir amplamente e com toda a sociedade essas questões sem achar que estatutos e algumas leis de proteção irão resolver o problema.

O sistema está criando seus monstros, os está alimentando e protegendo-os, será que imaginamos que os grandes felinos e as serpentes criadas em casa não se voltarão algum dia contra seus donos? Perdoem-se as fortes analogias, porém o caso é muito mais sério do que pensamos. Não podemos assistir as notícias sentados na poltrona ou sofá de nossa casa, achando que elas não podem ultrapassar nossas cercas de proteção. Elas podem e o farão em pouco tempo.

Antes que me crucifiquem devo acrescentar: sou favorável ao ECA em quase todos os seus artigos, acredito nas leis de proteção para os que precisam delas, não sou racista ou militante extremista de algum setor, sou casado e pai de três filhas que passaram por suas crises de adolescentes também. Portanto, não desmereço os ganhos sociais que as leis nos outorgaram até aqui, somente penso que, como meu pai e avós e muitas das gerações anteriores iniciaram a trabalhar na adolescência, por causa disso não se tornaram pessoas ruins, malignas ou péssimos pais e avós, ao contrário.

“Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte”, disse Jesus (Mateus 5.14). Isto significa que não podemos esconder os fatos que nos bombardeiam todos os dias como se eles não existissem ou não nos dissessem nada. Não podemos “tapar o sol com uma peneira”, nos ensinaram os antigos, porque o astro-rei continuará a dar a sua luz e seu calor através dela. Não se finge que o mal produzido pelo sistema não está agindo no mundo.

É preciso tratar o problema de frente, com seriedade e sem medo do que os falsos pensadores vão dizer. A mídia não nos representa, o sistema não nos representa, nós podemos alterar as leis, mudar o sistema, remover os nossos representantes, porque nós somos os seus criadores e mantenedores. É uma verdade incômoda, mas não deixa de ser uma verdade.

© Carlos Carvalho
Teólogo e Graduando em Ciências Sociais.

Referências:

ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Pdf.


Aumenta a participação de jovens menores de 18 anos em crimes violentos. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2012/02/01/interna_cidadesdf,288400/participacao-de-jovens-menores-de-18-anos-em-crimes-violentos-aumentou-62.shtml

31 de dez. de 2013


As Previsões Astrológicas que não aparecem nos “signos” dos crédulos

Além de ser fato (nem é preciso dizer cientificamente comprovado) que os astros não governam as nossas vidas e que as chamadas previsões astrológicas não passam de conselhos superficiais com a finalidade de ludibriar e entorpecer as mentes de quem almeja direção para si, há aquilo sobre o qual essas mesmas previsões não possuem controle ou não podem mencionar, pois se assim o fizessem, deixariam de ser rentáveis aos seus “profissionais”: a verdade concreta da vida humana.

Fiz um pequeno teste em um dos muitos sites sobre o tema. Li todas as previsões de todos os signos dos últimos dias e dos próximos até o final do ano (2013), e qual o resultado? As previsões são as mesmas para os signos, invertendo as palavras em certos dias e alterando outras por palavras sinônimas. Todos os signos têm basicamente os mesmos conselhos superficiais, as pessoas não notam isso porque leem somente o correspondente ao seu signo.

Paralelamente a isso não há sequer qualquer menção aos graves problemas da vida e tampouco nenhum deles se arrisca a predizer fracassos, derrotas ou realidades avassaladores sobre a vida de ninguém, como a possível morte por um diagnóstico de câncer ou uma doença terminal. Quero relatar algumas coisas das quais o “horóscopo” das pessoas nada dizem ou avisam para que essas mesmas pessoas guiadas por esses “astros” pudessem alterar sua vida ou preservá-las de algo realmente ruim ou catastrófico.

Os tais astros não avisam quando um casamento vai terminar por causa de violência, de ódio, de abusos ou por traições que o outro possa cometer, ao contrário, sucessivas vezes esses astros dizem que “um antigo amor” está de volta, sem se preocupar com as consequências que algo assim pode gerar numa relação. Não podem dizer se a pessoa que diz nos amar vai realmente estar ao nosso lado por toda a vida.

Os astros não avisam quando uma pessoa vai morrer de bala perdida, de acidente automobilístico, em uma viagem de férias ou de negócios, de acidente aéreo, por ser vítima de latrocínio (roubo seguido de morte), por estar em um lugar errado como na beira de uma praia de férias na manhã de um tsunami, se vai morrer por afogamento, por deslize de terra após chuvas torrenciais, nem sequer por usar drogas, beber ou fumar demais.

Os astros não sabem dizer se a pessoa vai perder os pais, o emprego, nem quando haverá colapso no sistema financeiro global, a quebra de seu banco onde estão depositadas todas as suas economias, se a pessoa concluirá seus estudos, sua faculdade, se encontrará o emprego sonhado, se abrirá sua almejada empresa e se esta continuará existindo por mais de 5 anos, se de fato a pessoa alcançará os seus sonhos na vida ou se seu casamento vai durar por mais alguns anos.

Tenha mais um parágrafo de paciência. Os astros não podem dizer se você terá Alzheimer, de terá câncer de mama ou de próstata, se algum de seus filhos nascerá com leucemia, se contrairá qualquer dos vírus mortais que existem, não podem lhe dizer se a pessoa com quem você teve relação na noite anterior não lhe infectou com AIDS ou outra DST, se quem disse que você é sua vida, não lhe preparou veneno no almoço ou se você e sua esposa dormindo serão assassinados por sua filha e de seu namorado.

Se eles soubessem de tudo isso nós seríamos as pessoas mais felizes do universo, pois desfrutaríamos de um sistema preventivo maravilhoso que apenas não poderia impedir o dia concreto de nossa morte, mas todas as outras coisas que nos perturbam a vida seriam eliminadas uma após outra ao passar do tempo. Isso sim é digno de um tipo de organismo que pode realmente controlar ou guiar seguramente as nossas vidas. Mas o fato é que a vida não é assim e não é controlada ou influenciada pelos astros.

Viver é mais do que aquilo que os “astros” podem nos oferecer. Viver é uma experiência que está além de falsas influências e de conselhos generalizados. Viver é mais complexo do que a simplicidade das palavras vazias e frágeis que a astrologia tem para nos dizer. A vida é mais séria, mais concreta, mais dura e pode ser mais feliz do que as fracas esperanças astrológicas diárias nos indicam. Portanto, os “astros” segundo a astrologia não servem para serem os guias de nossa existência e para nos aconselhar sobre a vida.

Cansaste-te na multidão das tuas consultas; levantem-se pois agora os que dissecam os céus, os que contemplavam os astros, os que em cada lua nova predizem e salvem-te do que há de vir sobre ti.
Eis que serão como a pragana, o fogo os queimará; não poderão salvar a sua vida do poder das chamas; não haverá brasas, para se aquentar, nem fogo para se assentar junto dele.
Assim serão para contigo aqueles com quem trabalhaste, os teus negociantes desde a tua mocidade; cada qual irá vagueando pelo seu caminho; ninguém te salvará.
Isaías 47.13-15


Carlos Carvalho
24 de dezembro de 2013