18 de fev. de 2015

Perseguição a judeus em Paris


Em vídeo, jornalista expõe a perseguição de judeus em Paris


Zvika Klein
Zvika Klein: jornalista caminhou pelas ruas da capital francesa para mostrar as agressões aos quais estão submetidos os judeus. Registrou olhares de ódio, cusparadas e xingamentos.
Klein desejava mostrar ao mundo a perseguição, as agressões verbais e os gestos ofensivos (como até cusparadas) aos quais os judeus estão diariamente submetidos na capital francesa. Para tanto, contou com o auxílio de um fotógrafo, que ficou responsável pelos registros, e de um guarda-costas, que o monitorou a distância para prevenir qualquer situação de violência.
“Bem-vindos a Paris de 2015”
O vídeo começa na Torre Eiffel, cartão postal parisiense, e, em seguida, mostra a jornada do jornalista em áreas centrais da cidade e também nos subúrbios.
“As regiões turísticas foram relativamente calmas, mas na medida em que eu me distanciava delas, ficava cada vez mais ansioso por conta dos olhares de ódio que recebi”, relatou Klein em artigo publicado no site de notícias NRG.
O experimento resultou em dez horas de áudios e imagens que foram reduzidas em um vídeo de cerca de dois minutos de duração. Vale lembrar que o conteúdo editado não mostra todas as manifestações (positivas ou negativas) registradas ao longo do dia e privilegia cenas em áreas majoritariamente muçulmanas. 
Um dos trechos que ficou de fora da edição mostrava o comportamento de uma criança ao se deparar com ele. “Olha mamãe”, disse o menino para uma mulher usando um hijab, vestimentas islâmicas, “o que é que ele está fazendo aqui? Será que não sabe que pode ser morto?”, questionou ele.
O experimento foi postado por Klein no YouTube no início desta semana e já contabiliza mais de três milhões de visualizações. Segundo ele, a ideia de produzi-lo veio depois da divulgação do vídeo da americana Shoshana Roberts, no qual ela registrou uma caminhada de dez horas em Nova York para mostrar o assédio sofrido por mulheres no dia a dia.


Fonte:
EXAME. com. Disponível em: http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/em-video-jornalista-expoe-a-perseguicao-de-judeus-em-paris

10 de dez. de 2014

Brasil tem maior número absoluto de homicídios do mundo


O Brasil tem o maior número absoluto de homicídio do mundo e, de cada cem pessoas que são assassinadas por ano no planeta, cerca de 13 são registrados no País. Os dados fazem parte do primeiro levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a violência e que revela a dimensão do problema em todos os continentes. 

Segundo a OMS, o total de homicídios no mundo chega a 475 mil. Em números absolutos, o Brasil é o líder no ranking, com uma estimativa de 64,3 mil homicídios em 2012. O País é seguido por 52 mil homicídios na Índia, 26 mil no México, 20 mil na Colômbia, 18 mil na Rússia e na África do Sul e 17 mil na Venezuela e nos Estados Unidos.

Os números da OMS, porém, são bem superiores ao que o governo brasileiro forneceu à entidade, com respeito a 2012. Segundo os valores oficiais, foram 47,1 mil homicídios naquele ano, com uma taxa de 24,3 incidentes para cada cem mil pessoas. 

Mas a entidade decidiu realizar um "ajuste", considerando a qualidade dos números fornecidos pelo Brasil. A OMS considerou que os números fornecidos pelo Ministério da Saúde teriam de ser incrementado em cerca de 18% para estar no mesmo nível dos registros da polícia brasileira. Para completar, a entidade estimou que outros 17% de elevação teriam de ocorrer para cobrir o número de homicídios não registrados. 

Proporção

Levando em consideração a dimensão do Brasil e de sua população, o País não ocupa a liderança. Mas, ainda assim, está entre os dez locais mais perigosos do mundo. A taxa de 32 mortos para cada 100 mil pessoas é mais de cinco vezes superior à média mundial, de pouco mais de 6 homicídios para cada cem mil pessoas. Considerando esse critério, o local com maior taxa de homicídio do mundo é Honduras, com 103,9 incidentes a cada 100 mil pessoas. O segundo lugar é a Venezuela, com 57 casos, contra 45 na Jamaica e 43,9 incidentes na Colômbia e em El Salvador. 

Em todo o mundo, a OMS aponta para uma queda de 16% no número de homicídios entre 2000 e 2012. Mas, ainda assim, ele correspondente ainda ao terceiro maior fator para mortes de homens entre 15 e 44 anos. Para a OMS, uma ação imediata precisa ser tomada e alerta que a violência é ainda generalizada, mesmo quando não há um homicídio. Uma de cada quatro crianças é fisicamente abusada, 20% das meninas foram violadas sexualmente e um terço das mulheres no mundo foi alvo de violência de seus parceiros.  

Na avaliação da entidade, poucos países de fato implementam programas para coibir a violência. Apenas um terço dos 133 países avaliados implementa iniciativas dessa ordem. Apenas metade faz vigorar de fato leis contra a violência. 50% dos governos avaliados têm serviços para dar apoio a vítimas da violência.  

"As consequências da violência em comunidades são profundas", alertou Margaret Chan, diretora-geral da OMS, que pediu nesta quarta-feira, 10, para que governos coloquem a prevenção como prioridade.


Fontes:
MSN
Estadão

25 de nov. de 2014

Um Mundo em Convulsão


Um Mundo em Convulsão

Introdução

Após o dia 11 de setembro de 2011 – trágico para a população americana e emblemático para as mudanças das relações internacionais – a partir dali, o mundo viu diante de si, tanto a nova face mais organizada e ousada do terrorismo, quanto o retorno de uma política global mais violenta, combativa e aguerrida na busca de hegemonia e controle dos recursos, das tecnologias e da velha influencia militar dos “impérios modernos”.

Tudo isso se soma a um momento histórico que tende a ser de via dupla, de um lado as tensões sociais em busca de mais liberdades, mais políticas públicas que atendam a demanda popular dos grandes centros, mais segurança, emprego, dinheiro e etc., ao mesmo tempo, do outro lado, um tempo de crises financeiras, escândalos internacionais, conflitos armados, altos índices de criminalidade gerais e assim por diante. Este momento histórico é definido pela palavra “instabilidade”.

Diante destas perspectivas, o que nos resta? Quais as respostas para um mundo tão incerto e igualmente desejoso de paz e prosperidade para todos? Como poderemos viver doravante sabendo que de um momento para o outro tudo pode mudar, simplesmente porque algum líder mundial decidiu por conta própria invadir uma nação soberana e matar seus cidadãos, sem, contudo, prestar contas de seus atos ao mundo, como vimos os conflitos na antiga União Soviética recentemente? Temos muito trabalho pela frente se quisermos alterar de fato o continum histórico que vemos!

Modernidade vs. Pós-modernidade

É lugar comum nos discursos fazermos referências quanto ao tempo no qual vivemos. Temos dito com frequência que a modernidade, com toda a sua pujança, sua vitalidade, sua moral e ética elevadas, seus grandes sonhos de um mundo novo, globalmente livre e democrático e os grandes ideais políticos, quando não morreram, deram lugar ao que chamamos de pós-modernismo, com sua linguagem não mais reconhecida, sua dependência da tecnologia, sua escassa falta de tempo para os relacionamentos e sua insistente relativização das coisas e da própria vida.

Este tempo marcado pelas novas conquistas – não mais territoriais ou aventuras marítimas – mas agora “científicas” e tecnológicas, nos remetem a um ambiente outrora jamais pensado das redes sociais, da vida online e do aumento das horas perdidas em falso entretenimento que não leva em conta as coisas mais importantes, como a família, o relacionamento social real e a solidariedade para com os que enfrentam problemas concretos em sua existência.

No cenário internacional somos bombardeados diariamente com notícias de conflitos e tensões que não dizem diretamente nada quanto à nossa maneira de viver, mas que afetam, por exemplo, as bolsas de valores em todo o globo. Um terremoto ou possível sinal de tsunami poderá fazer com que investimentos vultosos deixem de ser colocados à disposição de países que deles necessitam e evitar que água e remédios cheguem a populações desesperadas.

Caminhando

Quando ouvimos ou lemos palavras como “globalização” e “capitalismo” hoje vemos as coisas totalmente diferentes do que víamos a duas ou três décadas atrás. Globalização traz em si o receio da perda da identidade nacional somado à perda da capacidade de geração de riquezas por parte dos trabalhadores e produtores nacionais diante de uma concorrência desleal. Capitalismo traz consigo o resultado de sua não compreensão e desvio dos mais grosseiros na direção de uma cultura de consumo, da destruição contínua dos recursos naturais e dos bolsões de pobreza cada vez maiores no mundo. Onde tudo isso nos levará?

Se nos dispuséssemos a fazer uma análise apenas superficial de grande parte dos autores do último século até a presente data somente “descobriríamos” que eles falaram e falam praticamente das mesmas coisas – ao menos na relação à geopolítica, globalização, capitalismo e o tempo atual – de incertezas e de instabilidades, no mundo, nas sociedades e no interior das pessoas. Esperamos encontrar o caminho para que não retornemos aos mesmos erros do passado.


C. K. Carvalho

27 de out. de 2014


Maconha e sua saúde: o que 20 anos de pesquisa revelam


Wayne Hall, professor e diretor do Centro de Pesquisa em Abuso de Substâncias dos Jovens da Universidade de Queensland, na Austrália, publicou uma nova revisão bibliográfica analisando estudos feitos sobre os efeitos da maconha na saúde entre 1993 e 2013.

O uso da maconha tornou-se cada vez mais prevalente ao longo dos anos e a revisão de estudos sobre o tema resume o que os pesquisadores têm aprendido sobre os efeitos da droga, sobre a saúde humana e o bem-estar geral ao longo das últimas duas décadas.

Ele descobriu que adolescentes que usam maconha regularmente são cerca de duas vezes mais propensos do que os não usuários a abandonar a escola, bem como a experimentar comprometimento cognitivo e psicose quando adultos. Além disso, alguns estudos também ligaram o consumo de cannabis na adolescência ao uso de outras drogas ilícitas, de acordo com a revisão, publicada na revista “Addiction”.

O risco de uma pessoa sofrer uma overdose fatal de maconha é “extremamente pequeno”, e não há relatos de overdoses fatais na literatura científica. No entanto, tem havido relatos de casos de mortes 
por problemas cardíacos em homens aparentemente saudáveis depois de terem fumado maconha.

Segundo o relatório. “A percepção de que a maconha é uma droga segura é uma reação equivocada de um passado histórico de exagero de seus riscos para a saúde”, opina Hall. No entanto, ele acrescenta que a maconha “não é tão prejudicial quanto outras drogas ilícitas como anfetaminas, cocaína e heroína”.

Segundo o pesquisador, o uso da maconha traz alguns dos mesmos riscos que o uso de álcool, tais como aumento do risco de acidentes, dependência e psicose. Além disso, é provável que pessoas de meia-idade que fumam maconha tenham um risco aumentado de sofrer um ataque cardíaco. No entanto, “efeitos sobre a função respiratória e câncer respiratório ainda não estão claros, porque a maioria dos fumantes de maconha fumaram ou ainda fumam tabaco”.

Os críticos argumentam que outras variáveis, além do uso de maconha, podem influenciar e aumentar os riscos de tais problemas de saúde mental e que, em primeiro lugar, é possível que as pessoas com problemas de saúde mental sejam mais propensas a usar maconha. Quanto aos efeitos do consumo de cannabis em mulheres grávidas, a droga pode reduzir um pouco o peso do bebê ao nascer, de acordo com Hall.

Os efeitos de euforia que os consumidores de maconha procuram na droga vêm principalmente de seu ingrediente psicoativo, chamado delta-9-tetrahidrocanabinol, mais conhecido como THC. Durante os últimos 30 anos, o teor de THC da maconha consumida nos Estados Unidos saltou de menos de 2%, em 1980, para 8,5% em 2006.

Segundo o pesquisador, é provável que o teor de THC da droga também tenha aumentado em outros países desenvolvidos. Porém, não está claro se esse aumento pode ter um efeito sobre a saúde dos usuários. Alguns argumentam que não haveria aumento de dano se os usuários ajustassem suas doses da droga, usando menos dos produtos mais potentes para obter os mesmos efeitos psicológicos que procuram. No entanto, “a evidência limitada sugere que os usuários não ajustam completamente sua dose de acordo com potência, e por isso, provavelmente, recebem doses maiores de THC do que costumava ser o caso”, disse Hall.

Os estudos sobre a utilização de álcool – e, em menor extensão, de outras drogas, tais como os opióides – também demonstraram que as formas mais potentes destas substâncias aumentam o nível de intoxicação dos utilizadores, bem como o risco de acidentes e do desenvolvimento de dependência. [Live Science]

Extraído de HYPESCIENCE
http://hypescience.com/maconha-e-sua-saude-o-que-20-anos-de-pesquisa-revelam/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2Fxgpv+%28HypeScience%29

1 de set. de 2014

Guarulhos e o Brasil

Guarulhos e o Brasil

Nesta semana (28/08), o IBGE[1] lançou a estimativa da população das cidades brasileiras, com os dados das maiores e das menores. A população brasileira é aproximadamente de 202 milhões, perto dos 203. O município de São Paulo é de longe o mais populoso do país com mais de 11 milhões de habitantes, e nenhuma cidade brasileira chega perto desta marca.

Na outra ponta, Serra da Saudade, no estado de Minas Gerais é o município que possui a menor população, estimada em 822 habitantes. Os 25 municípios com menor população somam ao todo quase 33 mil pessoas, um percentual de 0,02% dos habitantes do país.

O destaque vai para as cidades brasileiras de maior população, não levando em conta as capitais. Guarulhos é a primeira cidade com cerca de 1,3 milhões de pessoas. Ou seja, ela se constitui na principal cidade brasileira em termos populacionais, sem as capitais. Após Guarulhos, na lista das 25 cidades mais densas, vem Campinas (SP) e São Gonçalo (RJ), também com mais de 1 milhão, e as restantes, com menos de 1 milhão de habitantes.

Guarulhos deveria se orgulhar destes dados, mas está longe disso, ao menos na perspectiva de grande parte de seus moradores. Uma cidade que não está interligada, pois a Rodovia Presidente Dutra a corta quase ao meio e não há viadutos que aproximem os bairros. Existem passarelas, mas esta medida serve apenas aos pedestres, que precisam se expor a muitos riscos e grandes caminhadas para acessar os pontos de ônibus.

Há gargalos de trânsitos que já deveriam ter sido resolvidos, como o da região do Bonsucesso, mas é crônico e aparentemente tratado com descaso pelos que se utilizam daquelas vias da região. Existem feiras de longa data em avenidas como no bairro São João (av. Juarez Távora), onde nos dias de hoje são inviáveis para o trânsito e o comércio local, mas sem nenhuma solução das autoridades.

Há a contínua e irritante destruição crônica que o SAAE faz das ruas por toda a cidade, escavando e esburacando nossas vias, numa demonstração de elevada falta de gerenciamento das vias aquosas, além da igualmente irritante empresa responsável pelo recapeamento do asfalto destruído, em não nivelar o novo asfalto pelo anterior, causando uma infinita quantidade de ondulações que impossibilitam um tráfego tranqüilo e nulo aos portadores de deficiências – isso sem falar das calçadas irregulares permitidas por toda a cidade.

Com um dos mais altos IPTU, que a faz figurar entre as 20 cidades paulistas[2] que mais o cobram, além de pagar anualmente o famigerado IPVA – que nada mais é do que o imposto pela propriedade do seu veículo, isso significa que você compra seu carro todos os anos, e nada é feito para mudar isso! – que ao final, a rua por onde você anda e por onde seu veículo trafega deveriam ser as melhores, mas a realidade é outra, não só em Guarulhos, é claro.

Os nossos representantes no cenário estadual e federal, não se preocupam com a estrutura da cidade, pois quando percebemos suas movimentações, vemos ações em relação certas questões culturais e afins, como se somente estes fossem os problemas de uma cidade que é a maior do país – não contando as capitais. Sem mencionar a segurança e a corrupção policial e os problemas dos presídios, situações que não acontecem só por aqui.

Outro grande destaque negativo é a empresa GRU que assumiu o nosso Aeroporto. Não bastasse já ser alvo de investigações[3], ela deliberadamente, com a anuência ou não (ainda não está claro) da Prefeitura da cidade, enganou milhares de moradores da região do São João e circunvizinhança com a inutilização da passagem que dava acesso à Rodovia Hélio Smidt, com a desculpa esfarrapada de que ponte “não era sustentável”[4]. E mais uma vez, as coisas continuam como estão, sem que nada seja feito.

O leitor deve notar que todas essas citações são problemas de ordem estrutural, sem, contudo, adentrar em diversos outros problemas como escolas, saneamento básico, evasão de grandes empresas para outras cidades por conta da carga tributária e outros fatores, como por exemplo, a Raiovac, a Phillips e a Cadbury Adams, fabricante dos famosos Chicletes Adams, isso apenas para ficar por aqui.

Uma cidade com a vocação de grandeza e envergadura nacional, pois a porta de entrada do Brasil em muitos aspectos é Guarulhos, pelo maior Aeroporto da América do Sul e pelo comércio que passa e é gerado em nossa cidade para todo o país, não pode continuar sem criar soluções contínuas para os contínuos problemas que uma cidade deste porte envolve. A política pública e a gestão pública precisam compreender essa dinâmica e diariamente dar respostas imediatas, não somente aos problemas sociais, mas também às demandas estruturais e circunstanciais da própria cidade.

Amar uma cidade não é somente dizer que a ama, morar nela por décadas ou pensar apenas para uma elite ou grupo específico. Amar uma cidade é pensar diariamente em soluções para ela toda. É preciso montar uma equipe apolítica para isso, composta de pessoas que estão comprometidas, não com guetos, mas com a cidade plena. Mentes capazes de produzir soluções e em conjunto, pois uma cidade não é gerida por um partido ou por uma pessoa é construção de todos.


C. K. Carvalho
Teólogo e graduando em Ciências Sociais pela Universidade Metodista – Pólo Guarulhos.
Fundador da ONG ABAN Brasil






[1] http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/pdf/analise_estimativas_2014.pdf

[2] http://www1.folha.uol.com.br/infograficos/2013/10/78512-ranking-da-carga-tributaria-municipal.shtml

[3] http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2013/09/26/B7.pdf

[4] http://www.guarulhosweb.com.br/noticia.php?nr=57964

25 de ago. de 2014


BUROCRACIA POLICIAL

Sabemos que em nosso país a burocracia merece o apelido de “burrocracia”. Também não ignoramos que essa burocracia beneficia a certos setores governamentais e facilita a corrupção e o desvio de recursos públicos aos “abutres” no poder. São fatos infelizes, mas reais em nossa amada pátria.

Soube de uma história que é tão absurda, mas perfeitamente cabível nos moldes dessa confusão oficial instalada desde sempre nos meandros civis e militares por aqui. A contarei sutilmente para preservar as famílias envolvidas na situação, por respeito ao sofrimento causado pelo caso e compreendendo que muito disso não é culpa da força policial, mas do sistema que não serve às atuais necessidades das vítimas e tampouco serve às demandas criminais de nossos dias.

Um homem em minha cidade num ato passional e violento matou sua companheira com um golpe chamado Hadaka Jime ou Mata-Leão (como foi apelidado no Brasil). É um golpe de estrangulamento usado nas artes marciais japonesas, realizada pelas costas do oponente. É original do grupo de técnicas do jiu-jítsu e judô, conhecido como shime waza.

Após matá-la levou-a a um local em sua região e deixou o corpo à vista de quem passasse por ali. Veio-lhe um tremendo remorso pelo feito e decidiu entregar-se à polícia, confessando o crime e dizendo onde o corpo poderia ser encontrado. Apurado os fatos, a burocracia policial não o pode prender, pois sem o corpo (ainda não feito análise no IML), sendo o mesmo réu primário e não ter sido lavrado os autos para pedir sua prisão preventiva, mandaram-no esperar em sua residência, depois de liberá-lo da delegacia.

O seu crime chegou aos ouvidos dos reais criminosos de sua região e ameaçaram-lhe tirar a vida se o encontrassem e, temendo por sua vida (sem imaginar que tirou a de sua esposa sem pensar), foi novamente à delegacia para tentar ser preso pela segunda vez. Ao chegar, já havia dado tempo dos autos serem lavrados e sua prisão já havia sido pedida, foi encaminhado ao cárcere.

Isso não foi ficção, filme ou novela. Aconteceu realmente. É vergonhoso, trágico e assustador o caminho que nossa lei tomou para punir os crimes na sociedade e a ridícula tolerância que vemos com a hediondez perpetrada pelos que sabem que ficarão impunes com todas as desculpas que se dá para manter esse status quo.

Como constantemente diz minha esposa: “Que é isso, Brasil?”


© C. K. Carvalho
Agosto de 2014