4 de mai. de 2015

A CRIMINALIDADE DESDE SUA BASE É EXTREMAMENTE PROBLEMÁTICA


A CRIMINALIDADE DESDE SUA BASE É EXTREMAMENTE PROBLEMÁTICA
É possível apresentar soluções?



Carlos de Carvalho
Cientista Social e Teólogo formado pela Universidade Metodista de São Paulo, fundador da ONG ABAN Brasil e criador do blog Inversa Sociologia.
E-mail: carloscarvalho.2049@gmail.com



De acordo com Neemias Prudente (2013), segundo dados oficiais, o Brasil conta atualmente com aproximadamente 500 mil presos, ficando atrás somente dos Estados Unidos, com 2,3 milhões de presos, e da China, com 1,7 milhões de presos. Também de acordo com essas pesquisas, o país só dispõe de 320 mil vagas de capacidade prisional. Também afirma que há cerca de mais 500 mil mandados de prisão expedidos pela justiça que não foram cumpridos.

A população carcerária, seguindo o mesmo estudo é de 93,4% de homens e 6,6% de mulheres, que, em geral, têm entre 18 e 29 anos, portanto, de jovens. Os crimes praticados por estes são crimes contra o patrimônio – na casa dos 70%, e por tráfico de entorpecentes – que chegam a 22%. A taxa de reincidência criminal no Brasil é de 70% na média. Estes também são, em sua maioria, afrodescendentes, com baixa escolaridade, sem profissão definida, de baixa renda e de famílias desestruturadas.

Os dados a seguir são da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e demonstram a gravidade e a intensidade de uma parcela de crimes cometidos no ano de 2014:

Tabela 1: Dados Estatísticos do \Estado de São Paulo
Ano
Homicídio
Furto
Roubo
Furto e Roubo de Veículo
2014
4.294
516.189
309.948
221.044
Fonte: SSP/SP, 2014

Apenas nestes quatro casos especificados, e somente em um Estado da União, a quantidade total de crimes foi de 1.051.484 (mais de um milhão) de casos registrados, sem contar outras modalidades. Isso significa que a quantidade de crimes cometidos no país é imensa e atualmente foge de nossa capacidade de resolução e punição, pois nestes casos temos baixíssimos índices: só 5% dos homicídios são elucidados aqui, enquanto, por exemplo, no Reino Unido, taxa é de 85% e nos EUA, de 65%. Isto em se tratando só de homicídios.

Para piorar, o nosso modelo de inquérito policial é um verdadeiro caos burocrático e um dinossauro no que diz respeito à necessária agilidade que é preciso para a investigação, a produção de provas, a efetiva denúncia e o julgamento e a punição do crime cometido. E tudo indica que as autoridades brasileiras não desejam nem se esforçarão para mudar esta ultrajante e embaraçosa situação. Jamais poderemos mudar a problemática causada pela criminalidade se continuarmos a manter as coisas no mesmo modelo que aí está.

Imagine que além da quantidade de presos que nosso sistema carcerário já possui, se a força policial realizasse todos os mandados de prisões pendentes, e mais, se cada crime apenas das modalidades descritas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo fosse denunciado e punido. Teríamos por baixo um número de mais de dois milhões de presos, apenas adicionando aos oficiais, os crimes do Estado de São Paulo. Se hoje já temos o caos, qual palavra usaríamos para isso?

Proponho a criação das Delegacias Especiais de Investigação, várias em cada capital e em grandes cidades, e uma em cada cidade com até 100 mil habitantes – cobrindo também pequeníssimas cidades circunvizinhas. Serão dados a essas delegacias plenos poderes de investigação, condução de processos para produção de provas, e formação de culpa e denúncia, com laboratórios forenses, policiais contratados como investigadores, sem concurso público, somente por inscrição, provas de conhecimento e aptidões físicas, investigação de vida pregressa, com plano de carreira e sem a necessidade de delegados com curso de Direito (os delegados ou capitães farão curso interno sobre legislação, Código Penal e adequação processual).

Ao mesmo serão criadas, nas mesmas especificações, e nas mesmas instalações (podendo ser em outras locações), salas de delegacias especiais para investigação de crimes diferenciados, como perseguição e bullying, desaparecimentos e sequestros, crimes cibernéticos, crimes sexuais e falsificações gerais. Todos os membros destas unidades receberão treinamento básico de polícia, inteligência e tecnológico para que possam cumprir satisfatoriamente suas tarefas. As atuais delegacias existentes serão transformadas e adequadas nestas novas delegacias especiais e muitos funcionários de outras delegacias especiais (todos os que demonstrarem interesse e aptidões), como Delegacia da Mulher, Conselhos Tutelares e de Secretárias de Direitos Humanos serão transferidos para as Delegacias Especiais de Investigação a fim de compor o quadro geral de funcionários, recebendo o mesmo treinamento básico. As Delegacias de Polícia e demais delegacias especiais que não entrarem no programa continuarão a prestar os mesmos serviços de sempre, sem alterações ou prejuízos de seu trabalho.

            A ideia pode ser simples ou bem idealista, mas creio ser um início de reflexão e ação para a implementação de mudanças concretas que precisamos na área criminal em nosso país. Depois atacaríamos a excessiva burocratização do inquérito policial, a legislação penal adequando-a ao tempo no qual vivemos e finalmente alteraríamos radicalmente o nosso sistema carcerário, com prisões específicas, programas de reinserção social, trabalho e educação dos presos. Tudo pode ser mudado, não há nada imutável num sistema social.



Bibliografia

Dados Estatísticos do Estado de São Paulo. Secretaria de Segurança Pública – Governo do Estado de São Paulo. Disponível em: http://www.ssp.sp.gov.br/novaestatistica/default.aspx.

MISSE, Michel. O inquérito policial no Brasil: resultados gerais de uma pesquisa. DILEMAS: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social - Vol. 3 - no 7 - JAN/FEV/MAR 2010 - pp. 35-50.

No Brasil, só 5% dos homicídios são elucidados. O Globo. Disponível em: http://oglobo.globo.com/brasil/no-brasil-so-5-dos-homicidios-sao-elucidados-7279090.

PRUDENTE, Neemias. Sistema Prisional Brasileiro: Desafios e Soluções. Disponível em: http://atualidadesdodireito.com.br/neemiasprudente/2013/03/06/sistema-prisional-brasileiro-desafios-e-solucoes/.


28 de mar. de 2015

A NOVA GERAÇÃO



A NOVA GERAÇÃO

Tenho refletido sobre os fundamentos da atual geração de pessoas, aqueles que nasceram na década de 1990 para cá e contam aproximadamente com no máximo 20 e poucos anos. Uma geração pós-moderna e dominadora de uma gama de tecnologias que há trinta ou quarenta anos atrás só era imaginada nos livros e filmes de ficção científica.

Essa dita geração “Y” foi criada e cresceu em bases que considero extremamente equivocadas, prejudiciais e, que, as passadas gerações, não ousaram mudar ou quebrar os limites morais e sociais que as mantinham unidas, coesas e firmes. Foram precisamente essas bases removidas, as causadoras da formação de um universo quase caótico nos adolescentes e jovens de hoje.

Não desejo culpar os mais novos pelos erros que nós cometemos ou que nossa geração anterior cometeu no sentido de mudar para sempre os alicerces sociais, relacionais e científicos pelos quais possuíamos sentido de certeza e direção para a própria vida, através dos ideais e sonhos – que ao contrário do que podem dizer, foram concretizados por nós – e também da construção de um mundo melhor para os nossos filhos, a culpa não é da nova geração, ela é herdeira de nossas ações.

Muitos de nossos projetos geracionais foram realizados, como a liberdade de expressão, os direitos das mulheres, a democracia em pleno processo de maturidade, as eleições diretas, uma melhor preparação para o mundo do trabalho, a conquista de novos espaços para o crescimento pessoal, a possibilidade de melhores estudos e de acesso à universidade, e a lista pode continuar, apenas pensando no Brasil.

É certo que outras pessoas fariam uma lista extensa de coisas que não estão bem e daqueles que deveriam melhorar com urgência, mas não podemos negar duas coisas: que houve mudanças positivas em larga escala e em todos os aspectos em comparação com o nosso passado não muito distante, e que a possibilidade concreta de se fazer novas mudanças não nos foi e nem será tirada por nenhum governo atual nem futuro, ao menos em uma perspectiva de médio prazo (pois não ousaria dar uma de profeta nacional neste tempo!).

Retornando ao tema da geração atual, disse que ela cresceu em bases equivocadas. Penso que duas se destacam a priori.

A primeira, diz respeito à extrema liberdade que lhe demos para viver suas vidas, de tal maneira que faz parecer a eles que se criaram sozinhos, sem o auxílio dos “mais velhos”. Essa falsa liberdade sem limites claros tornou-se um “calcanhar de Aquiles” para a sua maneira de se relacionar com aqueles a quem deveriam mostrar mais respeito e humildade, e o pior, no afã de se libertarem definitivamente de suas “travas” e “opressores” paternos, romperam com a própria História, e, sem esta, transformaram-se em criadores de seu próprio destino, porém sem rumo, sem a mínima noção de direção e numa profunda incerteza do amanhã, coisa que jamais foi experimentado pelas gerações passadas, não certamente nestes níveis.

A segunda nos remete à enorme massa quase que infinita de informações a que esta geração tem à sua disposição. É tão volumosa e asfixiante que ela não sabe distinguir entre o certo e o errado ou entre o verdadeiro e o falso. Não têm a vivência e experiência necessárias para fazerem essa distinção, tampouco têm as faculdades mentais amadurecidas para realizar este feito, mas como romperam com os antepassados, ficaram órfãos em si mesmos, sem referências para efetivar corretamente as conclusões do que vêm e do que pensam. Nesta outra base fundamental equivocada, passaram a não aceitar bem as ideias de autoridade, modelos, experiências de vida e passaram a enxergar com desconfiança qualquer coisa, pessoa ou instituição que seja anterior a sua própria existência.

Óbvio que para qualquer observador por menos imparcial que seja que os resultados não seriam outros senão aqueles que se vêm diariamente. Aumento da delinquência e criminalidade exatamente nas idades que deveriam ser mais protegidas pelos pais, aumento do consumo de entorpecentes, tabaco e álcool nas mesmas faixas etárias, aumento da contaminação por doenças sexualmente transmissíveis nos mais novos e a coisa não para por aí. Com as mudanças dos paradigmas benéficos – pois penso que muitos paradigmas precisem ser mudados para o bem de tosos -, esta geração destruiu a saudável relação de família, de amizade e de convivência respeitosa entre si e com as outras gerações.

Bem, estes são os problemas, mas quais as soluções? Nada fácil de responder, pois o que aí vemos não é um produto que foi criado ontem, mas uma construção de pelo menos três gerações. Se fôssemos bem otimistas diríamos que levaríamos ao menos o mesmo tempo em gerações para corrigir os erros que afunilaram neste tempo, mas sabemos que sem uma intenção clara, sem a devida força moral e sem a coragem para confrontar essas bases e removê-las ao ponto de trazer de volta os paradigmas benéficos, não lograremos êxito algum.

Essas soluções alcançadas pelo emprego de força moral, não política; por força de caráter, não por violência; pelo emprego da verdadeira autoridade, não pelo autoritarismo; pela força do amor que deseja o bem real da geração e não pela simples necessidade de ordem social, fariam toda a diferença no contexto atual, sem isso, nada feito!

Alguns diriam que uso certa dose de saudosismo, nada mais ridículo que isso. Dizer que é saudosismo é fazer o papel simplista de gente que não gosta de pensar e quer tudo pronto, do modo mais fácil ou acha que tudo deve ficar como está porque tem interesse escuso no processo que aí está. Procurar soluções com a experiência do passado é fazer com ele exatamente aquilo a que o passado se destina: ser uma fonte de sabedoria para se corrigir a rota do presente e repensar o futuro. Por isso é necessário ir ao passado, pois o futuro não pode nos dar referências e o presente precisa ser alterado.

Já estamos cansados de saber que o caminho a trilhar é longo, não podemos esperar mais. Comecemos a andar já!


Carlos de Carvalho

Cientista Social

25 de mar. de 2015


A SOLUÇÃO CONCRETA PARA A QUESTÃO DA MAIORIDADE PENAL EM FACE DA VIOLÊNCIA DO MENOR


Estão discutindo e rediscutindo, contudo, sem nenhum avanço concreto na questão da maioridade penal e da violência cada vez maior cometidas pelos menores de 18 anos. As justificativas para diminuir a idade penal e a de não diminuí-la são igualmente justas e corretas. Então o que fazer diante deste impasse? A solução é bem simples, na verdade, e ela vem em duas pequenas ações através de Emenda Constitucional:

Primeiro – condena-se os menores com penas de adultos, aos que cometerem crimes de homicídio doloso, crime hediondo, latrocínio, terrorismo e seqüestro.

Segundo – utiliza-se os dispositivos corretivos do ECA para os menores que cometerem os crimes de menor escala violenta, como furtos e roubos e posse de entorpecentes.

Não será preciso mudar a Constituição, fazer plebiscitos nem ficar perdendo tempo com discussões que não nos levam a lugar nenhum. Onde está a vontade política? Pois a do povo já está clara! .



C. K. Carvalho
Teólogo e Cientista Social

10 de mar. de 2015

OS 10 MANDAMENTOS DA BOA ADOLESCÊNCIA



OS 10 MANDAMENTOS DA BOA ADOLESCÊNCIA


I
Errar faz parte da vida, mas continuar no erro é burrice!

II
Esteja aberto ao novo, mas tenha critérios. Exercite a escolha consciente.

III
Correr riscos é parte natural da vida, porém ir em direção da morte não é inteligente!

IV
Os amigos são maravilhosos, desde que não nos usem ou nos destruam.

V
Ouça seus pais, também tome as próprias decisões assumindo toda a responsabilidade delas.

VI
Aventurar-se aumenta as chances de sucesso, mas o “tiro pode sair pela culatra”. Procure raciocinar sempre!

VII
Você é único(a). Não há ninguém igual a você, por isso escolha o grupo que lhe impulsiona a ser melhor a cada dia.

VIII
Prepare-se o melhor que puder para quando chegar o tempo de seguir o seu próprio caminho.

IX
Todos nascem sem saber e aprendem enquanto crescem. Estude e aprenda. Quando se tornar adulto, verá os excelentes resultados disso.

X

Nunca se permita entristecer por alguém te rejeitar, não te convidar ou por dizer coisas horríveis sobre você. Você é o futuro, a próxima geração. Contamos com você, precisamos de você!


By Carlos Carvalho

5 de mar. de 2015

Na Relação do Trabalho e os Impostos no Brasil...



Na Relação do Trabalho e os Impostos no Brasil...


Você trabalha:


1 dia e meio para financiar o Programa Bolsa Família.

20 dias e meio para financiar os Estados, os Municípios e a União.

13 dias para financiar a Educação.

20 dias para financiar os juros que vão para a classe de alta renda (cerca de 20 mil famílias).



Fonte:


BAVA, Silvio Caccia, Org. Thomas Piketty e o segredo dos ricos. / Organização de Silvio Caccia Bava. Tradução: Equipe Le Monde Diplomatique Brasil – São Paulo: Veneta; Le Monde Diplomatique Brasil, 2014. p.69.

18 de fev. de 2015

Perseguição a judeus em Paris


Em vídeo, jornalista expõe a perseguição de judeus em Paris


Zvika Klein
Zvika Klein: jornalista caminhou pelas ruas da capital francesa para mostrar as agressões aos quais estão submetidos os judeus. Registrou olhares de ódio, cusparadas e xingamentos.
Klein desejava mostrar ao mundo a perseguição, as agressões verbais e os gestos ofensivos (como até cusparadas) aos quais os judeus estão diariamente submetidos na capital francesa. Para tanto, contou com o auxílio de um fotógrafo, que ficou responsável pelos registros, e de um guarda-costas, que o monitorou a distância para prevenir qualquer situação de violência.
“Bem-vindos a Paris de 2015”
O vídeo começa na Torre Eiffel, cartão postal parisiense, e, em seguida, mostra a jornada do jornalista em áreas centrais da cidade e também nos subúrbios.
“As regiões turísticas foram relativamente calmas, mas na medida em que eu me distanciava delas, ficava cada vez mais ansioso por conta dos olhares de ódio que recebi”, relatou Klein em artigo publicado no site de notícias NRG.
O experimento resultou em dez horas de áudios e imagens que foram reduzidas em um vídeo de cerca de dois minutos de duração. Vale lembrar que o conteúdo editado não mostra todas as manifestações (positivas ou negativas) registradas ao longo do dia e privilegia cenas em áreas majoritariamente muçulmanas. 
Um dos trechos que ficou de fora da edição mostrava o comportamento de uma criança ao se deparar com ele. “Olha mamãe”, disse o menino para uma mulher usando um hijab, vestimentas islâmicas, “o que é que ele está fazendo aqui? Será que não sabe que pode ser morto?”, questionou ele.
O experimento foi postado por Klein no YouTube no início desta semana e já contabiliza mais de três milhões de visualizações. Segundo ele, a ideia de produzi-lo veio depois da divulgação do vídeo da americana Shoshana Roberts, no qual ela registrou uma caminhada de dez horas em Nova York para mostrar o assédio sofrido por mulheres no dia a dia.


Fonte:
EXAME. com. Disponível em: http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/em-video-jornalista-expoe-a-perseguicao-de-judeus-em-paris