6 de ago. de 2015
23 de jul. de 2015
Economia Global
Este é o mapa que demonstra qual o percentual com que alguns países contribuem com a economia global. Nosso país representa 3,15% do total de negócios no mundo. Certamente estamos muito longe de sermos uma potência mundial neste quesito como já sabemos em outros.
14 de jul. de 2015
Vítimas
VÍTIMAS
Precisamos ter cuidado com certas
palavras que usamos e sermos bastante honestos intelectualmente, por exemplo, quando
dizemos que algumas pessoas são “vítimas” ao cometerem crimes.
A única condição em que uma
pessoa qualquer se torna vítima cometendo um homicídio é no ato de legítima
defesa. Não há outra possibilidade.
Carlos de
Carvalho
2 de jul. de 2015
O Adolescente em Conflito com a Lei e o ECA
Acabo de ler a Nota Técnica do
IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre o adolescente em conflito
com a Lei, no objetivo de contribuir mais agudamente com o debate sobre a
redução da maioridade penal no Brasil. O estudo foi conduzido por Enid Rocha A.
Silva e Raissa M. Oliveira, ambas muito capacitadas para a empreitada.
Algumas coisas me chamaram a
atenção no sentido de que realmente se deve ampliar e explanar muito mais e
largamente o assunto do menor infrator e as causas que os levam ao conflito com
a Lei, porém, outras me fizeram questionar certos modelos estruturantes na
forma como interpretamos os números apresentados, mas não opinarei sobre isso.
O que mais me chocou foi que as
pesquisadoras apresentaram uma informação que há muito me deixa intrigado sobre
as implementações das medidas socioeducativas de privação de liberdade nas
instituições para onde os adolescentes são enviados: desde o início dos anos
2000 se sabe que 71% das unidades não estavam adequadas às necessidades
pedagógicas do ECA (p.30) e que essas mesmas medidas sequer tenham sido
implementadas como preconiza na Constituição e no ECA (p.37).
O Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) foi criado em 1990, portanto já conta com 25 anos neste mês
de julho de 2015, e ainda se persiste os mesmos problemas de implementação das
suas medidas de acordo com o que o mesmo preconiza para “punir” os adolescentes
que cometem atos infracionais. Isto significa pelo menos duas coisas:
1) 25 anos depois, houve
pouquíssima evolução da situação, quase nenhuma vontade política para implantar
algo do porte do ECA em escala nacional e ineficientes políticas públicas para
criar os ambientes e espaços necessários para se verificar se as teorias
socioeducativas do ECA servem de fato para a diminuição da criminalidade entre
os mais novos e a eventual eliminação majoritária destes nas situações de
reincidência e iniciação aos atos análogos aos criminais.
2) 25 anos depois, parece que
descobrimos de maneira dolorosa, que o ECA foi criado para um país que não o
Brasil, dadas as impossibilidades de diversas ordens que percebemos. Este
Estatuto foi concebido num ambiente e nação que não possuía, na sua criação, e
nem o possui agora, as condições necessárias para a sua efetivação. Isto ainda
me diz que, em sendo assim, ele se constitui num dos grandes problemas (ou “gargalo”)
do próprio desejo de vencer a luta contra a criminalidade e a exposição dos
menores a ela na infância, pois, sendo gerado para um país sem a estrutura para
mantê-lo e aplicá-lo, continuará sem poder ser validado ou rejeitado, por não se
ter condições de estudá-lo na prática, e, talvez, nunca poderá ser alterado por
ser uma Lei associada aos direitos constitucionais. Em outras palavras, iremos
conviver por mais um longo tempo com um problema terrível e sem aparente
solução.
Carlos de
Carvalho
Cientista
Social e fundador da ONG ABAN Brasil
Fontes:
Nota Técnica Nº 20. IPEA. O Adolescente em Conflito com a Lei e o
Debate sobre a Redução da Maioridade Penal: esclarecimentos necessários. Enid
Rocha Andrade da Silva, Raissa Menezes de Oliveira. Brasília, junho de 2015.
Imagem: Menor Infrator. Disponível em: http://blame-001.deviantart.com/art/menor-infrator-244656767
27 de jun. de 2015
O RACISMO DOS ANTIRRACISTAS
O RACISMO DOS ANTIRRACISTAS
Carlos de Carvalho
Frequentemente vemos a discussão
sobre o racismo por parte dos que defendem ou dizem defender as vítimas mais
evidentes dele, os negros, é claro, como sendo algo de ordem de suas origens,
que está no passado ou pela condição social presente nas vidas dos mesmos.
Explico o que quero dizer.
Os dados obtidos pelas pesquisas
mais recentes apontam, por exemplo, que o encarceramento de pessoas negras e
sua morte se dão em números muitos superiores aos de outras raças, como por
exemplo, que o de brancos. Possuímos o quarto maior número de pessoas presas do
mundo, mas somente se levarmos em conta os encarcerados somados aos que estão em
prisão domiciliar[1].
Os dados da população prisional
de 2005 a 2012[2] segundo a cor/raça no
Brasil apontam que o encarceramento de negros é maior que o encarceramento de
brancos, e, neste mesmo estudo, o número de presos com escolaridade de ensino
fundamental incompleto é muito superior ao de outras escolaridades, até mesmo
que ao de analfabetos ou apenas alfabetizados.
Comumente, os defensores de certos
movimentos sociais desejam nos fazer acreditar, em primeiro lugar, que uma das
principais causas da criminalidade entre os nossos jovens é a falta do acesso à
escola ou de educação. Porém, ao analisar os dados que o próprio Governo
apresenta via Secretaria Nacional de Juventude e Secretaria de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial, mesmo que não sejam extensos, mostram que isso
não é uma realidade em princípio. Ou seja, se a escolaridade fosse uma causa
real, as pessoas com menos estudos deveriam ser mais propensas a cometer
crimes, mas ao olhar friamente os números das tabelas vemos que o índice de
analfabetos presos é de 5,4%, o de alfabetizados de 12,5% contra 45,3% de
pessoas com ensino fundamental incompleto. Semelhantemente, o número de pessoas
mais escolarizadas é menor no sistema prisional brasileiro. Os que detêm o ensino
superior são de 1,2% dos presos, os do ensino médio de 18,7% e os de ensino
fundamental completo são 12,2%. Isto já nos dá uma conclusão acentuada sobre a
questão: Não é a falta do acesso à escola e à educação que faz com que estas
pessoas cometam violações, nem tampouco a sua baixa escolaridade, mas os dados
nos afirmam, ao menos genericamente, que é a evasão escolar e a não
continuidade dos estudos que propiciam a entrada no crime neste quesito
analisado.
Em segundo lugar, quero me ater à
questão do negro, suas origens e histórico em nosso país. Sabemos do enorme
prejuízo cultural, social e familiar que a escravidão causou principalmente ao
negro no mundo e no Brasil e esta destruição, que hoje completou 127 anos, tem
consequências funestas para a sociedade negra em muitos aspectos de sua vida.
Da mesma forma, conhecemos os
resultados mais terríveis que os negros passaram desde a sua libertação[3].
Quando livres, não foram assessorados, auxiliados nem empoderados de recursos
básicos para a sua manutenção e desenvolvimento pessoal, criando um verdadeiro
exército de gente paupérrima, sem educação e sem direitos quase que da noite
para o dia. Óbvio que sem os recursos mais essenciais, o que viria seria
desastroso para eles. É importante notar que a herança deixada aos negros a
mais de um século não foi benéfica e precisaram esperar e, mais recentemente,
lutar por seus direitos em todos os países democráticos do chamado mundo livre.
Desde 1955, com o Movimento dos Direitos Civis dos Negros nos Estados Unidos
até a militância negra nos anos 2000, os negros ganharam mais efetivamente
direitos e lugar de destaque na sociedade e isso se acentua cada vez mais com políticas
afirmativas constantes por parte de nossa legislação[4].
Esta caminhada de afirmação e
busca do direito do negro em nosso país vai, ao menos em linhas gerais,
contrária à especulação por parte de certos defensores de movimentos raciais,
que advogam que outra causa principal de possuirmos uma população carcerária
maior de negros que de brancos é pelo histórico e pela herança da escravidão.
Desta forma, se utiliza da história ou do passado para explicar a causa da
criminalidade entre os negros, ou seja, ela é fruto da escravidão e,
posteriormente, da abolição mal feita. Culpa-se a história ou o passado pelos
problemas atuais. Isso não é novo nas mentes das pessoas, é muito comum no ser
humano. Procuramos pelo “bode expiatório” para os problemas mais agudos de uma
sociedade e sempre estará no outro, nunca em nós. A Psicologia chama isso de
“projeção”[5]. É
quando transferimos ou colocamos sobre o outro (neste caso o passado ou a
história) os nossos comportamentos indesejados como forma de defesa pessoal.
O que quero demonstrar com isso é
que foi precisamente por reconhecer que a história e a herança não lhes foram
favorável é que fez com que negros conscientes (e brancos também) lutassem para
alterar as circunstâncias a seu favor e conquistar os direitos e espaços que
sabiam que lhes pertenciam por dignidade pessoal e humana. Foi exatamente por
não aceitar a história e a herança deixada que fez com que negros se
levantassem para mudar seu destino e modificar para sempre a sua vida presente
e não o contrário. Olhar para o passado e culpá-lo pelo comportamento atual é
aceitar um destino e um presente imposto e tornar-se uma geração passiva que
nada fará para mudar sua condição. É certo que nenhum negro defenderia esse
pensamento, portanto, não podemos utilizar de argumento como este para
responder a um problema sério e grave de nossos dias.
Em terceiro e último lugar
atribuir à pobreza ou ao empobrecimento das pessoas uma das causas da
criminalidade ou do encarceramento é no mínimo uma desonestidade intelectual.
Desejo me explicar de duas formas: uma pela ética do povo e a outra pela
interpretação dos dados disponíveis.
A ética do povo. Pergunte a qualquer brasileiro ou brasileira de
qualquer camada social se ele ou ela aceita a ideia de que a pobreza é gerador
da criminalidade e a resposta será sempre um altissonante “não”. Nenhum adulto
brasileiro, pai ou mãe em nosso país concorda que ter nascido pobre é motivo
para que nossos filhos adentrem ao mundo do crime ou das infrações que vemos.
Sou branco, de origem pobre, com negros e descendentes de nativos na família, cresci
sem oportunidades de enriquecimento, sempre estudei em escolas públicas e meus
pais não tinham recursos para me mandar à escola particular. Nasci no Nordeste
(Bahia), no interior do estado e nem por isso fui incentivado a infringir a Lei
para ter alguma coisa. Sempre ouvíamos os nossos pais (todos nós) nos dizerem
que não “criaram filhos para fazer o errado” e que “éramos pobres, mas
honestos”. Isto é um fato perfeitamente observável em qualquer canto deste
país. Certamente, se temos uma inversão desta realidade, é porque alguma coisa
mudou na criação dos filhos e não na “pobreza” das pessoas.
Os dados. É sabido ao menos duas coisas hoje: 1) a maioria de nossa
população sempre foi pobre, e 2) melhoramos a distribuição de renda por
programas sociais. Vejamos como isso está posto nas pesquisas e dados que temos
disponíveis desde que a mensuração começou a ser feita mais precisamente.
Os dados apontam que em 1977 o
número de pobres e indigentes, todos com renda abaixo da linha da pobreza eram
de mais de 57 milhões de brasileiros e 10 anos depois, em 1988 esse número era
de mais de 71 milhões[6]. Para
se ter uma ideia de valores, um decreto de 2009 estabeleceu que seriam
consideradas extremamente pobres as famílias com renda mensal per capta (por
pessoa) de até R$ 70, e a linha da pobreza foi fixada em R$ 140 per capita. A
partir disso, à medida que o tempo foi passando, os governos foram criando
programas de distribuição de renda para mitigar a pobreza em seus níveis mais
cruéis. Com o advento do famoso Bolsa Família, criado em 2004, o Governo
alardeava que havia retirado da pobreza extrema 36 milhões de brasileiros na
comemoração de dez anos do plano[7]. O
Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) em 2014, no seu site, mostrava que a
pobreza extrema no Brasil, que considera as privações além da renda, caiu de
6,7% para 1,6% no período de 2004 a 2012[8]. Ora,
considerando a população atual de brasileiros que é de cerca de 204 milhões de
pessoas[9],
somente 1,6% equivale a mais de 3 milhões de pessoas sem considerar os pobres
que recebem o benefício que são na casa dos mais de 13 milhões segundo o mesmo
governo, que somam o total dos 36 milhões anunciados por causa dos integrantes
das famílias. Foi um gigantesco avanço nesta questão, não há o que questionar.
Aqui entra minha avaliação. Ainda
que seja profundamente imprecisa a avaliação do Governo que a classe média (a
nova classe C) seja composta por famílias com salários que variam de R$ 1.640,00
a 5.591,00, agigantando a classe média para mais de 91 milhões de brasileiros,
isso está bem distante das realidades estudadas por especialistas. Prefiro
ficar com os números na tabela de renda apresentados pelo IBGE em 2012[10]
quando o salário mínimo era de R$ 622,00. Faço um recorte e apresento apenas as
classes e a quantidade de salários mínimos que foram destinados a cada uma. Não
esqueçamos que os constantes na linha abaixo da pobreza não podem ser inseridos
nestas listas.
|
CLASSE
|
SALÁRIOS MÍNIMOS (SM)
|
|
A
|
Acima de 20 SM
|
|
B
|
10 a 20 SM
|
|
C
|
4 a 10 SM
|
|
D
|
2 a 4 SM
|
|
E
|
Até 2 SM
|
Como se vê
é muito mais complicado avaliar as questões de renda do que se imagina e
caracterizar pessoas como sendo de classe média, sem os padrões desta classe
historicamente percebidos, como por exemplo, hábito da leitura, alto grau de
escolaridade e com valores universais e gerais, somente levando em conta certo
padrão de rendimentos, não é algo inteligente, mas afunilar uma enorme massa de
pessoas tão diferentes entre si num modelo que beira a uma ilusão ou utopia
socialista.
Contudo,
enfatizo que houve grandes progressos nos rendimentos dos brasileiros nas
últimas décadas e isso já é suficiente para asseverar meu ponto de vista. Se a
renda de fato aumentou para as famílias menos favorecidas, e aumentou, então o
discurso de que a violência e o aumento da criminalidade se dá também por falta
de dinheiro ou pela pobreza cai por terra, pelo monos em grande parte. Este discurso
é derrubado pelos próprios dados apresentados pelo Governo atual que tem
preferência pelos pobres (no discurso) e vai no viés das políticas de
distribuição de renda.
Concluo dizendo
que a falta de acesso ou de continuação da educação pessoal, a história do
negro e de outras minorias, a herança que receberam dos dominadores do passado,
o hiperconsumo que marca a sociedade atual, a excessiva individualidade que
atenta para a vida em comunidade, o capitalismo sanguessuga e a condição social
na qual uma pessoa nasce não são suficientes para determinar a fonte da
criminalidade entre os mais jovens, principalmente entre os negros. A dinâmica
é muito mais ampla e mais profunda. Estas coisas são sim portas de entrada em
muitos casos, mas estão longe de serem as únicas.
Se, ao
mesmo tempo, como estudiosos e pessoas sensatas, não aumentarmos o alcance de
nossas lentes históricas e sociais e incluirmos outros fatores tão importantes
quanto os anteriores, como por exemplo: o tipo de criação na família que foi
sendo alterado até nossa atualidade, o próprio tipo de família que cada vez
mais se alarga para além dos limites de outrora, a contínua perda do pátrio
poder que foi substituído pelo poder familiar, a excessiva intromissão governamental
por meio de leis na vida familiar e no foro íntimo das pessoas, a contínua
exposição aos símbolos midiáticos que propagandeiam um estilo de vida que não é
comum e a destruição consciente da influência moral, dos valores e da ética
cristã na sociedade cada vez mais secularizada, não poderemos compreender
plenamente o caráter da violência e das infrações cometidas mais acentuadamente
nas últimas décadas, tantos pelos adultos, como pelos mais jovens em nosso
país.
Acredito
que isso pode ser chamado de “racismo dos antirracistas”, ou seja, aqueles que
defendem os direitos e movimentos de negros e das minorias encontraram um
discurso racista de culpa para justificar a culpa dos que estão em situação de
crime ou ato infracional. Não estou dizendo que todos pensem assim ou que os
fatos demonstrados pelas pesquisas sejam irreais, ao contrário, são bem reais.
Porém, encontrar “bodes expiatórios” para aqueles que cometem crimes é o mesmo
que apoiar e defender corruptos condenados por seus crimes em nome de uma
legenda partidária ou de uma ideologia de governo.
Os “fins
que justificam os meios” é a mesma coisa dos “meios que justificam os fins”.
Apenas trocamos “seis por meia dúzia” nesta história. Alterar a ordem dos
fatores nestes casos, não produzirá um resultado diferente do que já se vê.
Minimizar os nomes e conceitos somente para que pareçam mais aceitáveis e
palatáveis ou politicamente corretos, não faz com que a dura realidade deixe de
existir: crimes são cometidos por todas as faixas etárias a partir da
adolescência todos os dias em nosso país, isso é um fato sem questionamentos.
Ninguém em
sã consciência desejará viver e conviver numa sociedade de criminosos e de
gente que não é punida por seus crimes, não importando a idade com a qual os
cometam. Isto não significa, igualmente, que não se deseje a reinserção
daqueles que devem e podem ser recuperados se desejarem. Não acredito em
pessoas irrecuperáveis, acredito na vontade humana para mudar sua história. Se
a vontade não foi comprometida, há esperança.
Carlos de Carvalho
Cientista
Social e Teólogo formado pela Universidade Metodista de São Paulo
21 de junho
de 2015
© Todos os
direitos reservados.
[1]
Novo Diagnóstico de Pessoas Presas no Brasil 2014. Disponível em: http://www.cnj.jus.br/images/imprensa/pessoas_presas_no_brasil_final.pdf.
Acessado em 20/06/2015.
[2] Mapa
do Encarceramento: os jovens do Brasil. Disponível em: http://juventude.gov.br/articles/participatorio/0009/3230/mapa-encarceramento-jovens.pdf.
Acessado em 20/06/2015
[3]
O destino dos negros após a Abolição. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2673%3Acatid%3D28&Itemid=23.
Acessado em 20/06/2015.
[4]Movimento
Negro. Disponível em: http://negros-no-brasil.info/movimento-negro.html.
Acessado em 20/06/2015.
[5]Enciclopédia
de Psicologia Contemporânea: Dicionário Ilustrado de Psicologia. 5º volume.
Livraria Editora Iracema: São Paulo, 1981. p. 259.
[6]
Desigualdade e pobreza no Brasil:
retrato de uma estabilidade inaceitável. Revista Brasileira de Ciências
Sociais – vol.15. No.42, p.125. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbcsoc/v15n42/1741.
Acessado em 20/06/2015.
[7]Bolsa Família supera preconceitos e retira
36 milhões da miséria. Disponível em: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Bolsa-Familia-supera-preconceitos-e-retira-36-milhoes-da-miseria-/4/29394.
Acessado em 20/06/2015.
[8]Brasil
reduziu a pobreza em suas várias dimensões, revelou estudo do Banco Mundial. Disponível em:
http://www.mds.gov.br/saladeimprensa/noticias/2014/setembro/brasil-reduziu-a-pobreza-em-suas-varias-dimensoes-revelou-estudo-do-banco-mundial.
Acessado em 20/06/2015.
[9]População
do Brasil. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/. Acessado
em 20/06/2015, às 15h29m.
[10]Classes
Sociais no Brasil de Hoje. Disponível em: http://novo.fpabramo.org.br/sites/default/files/ed01-fpa-discute.pdf,
p.7. Acessado em 20/06/2015.
5 de jun. de 2015
Dinheiro
Todo o nosso sistema
invariavelmente e inalteravelmente está dependente do dinheiro, seja Real, Dólar,
Euro ou outra moeda. Tudo está, como numa imagem de DNA, intrínseco de forma tão
profunda em nossa sociedade humana, que é impossível prever qualquer outro
modelo econômico mais eficaz que este. Computamos tudo em termos de dinheiro:
Salários, benefícios e lucros.
Férias, compras e entretenimento.
Os percentuais de impostos se
transformam em dinheiro.
As marcas globais e locais se
movimentam em função dos valores.
A pesquisa em saúde, remédios e
vacinas são financiadas por investimentos em dinheiro.
O conhecimento adquirido ou
oferecido tem preço.
A comunicação universal é fundada
no lucro aos acionistas e investidores.
As ideias têm preço.
A inflação vista em percentuais é
na ponta ganho ou perdas de dinheiro.
A sonegação de impostos, a
informalidade e a pirataria são medidas em quanto de dinheiro os cofres
públicos deixam de arrecadar.
Os crimes como roubos, furtos,
pornografia geral, prostituição, venda de armas e drogas são dimensionados em
valores das moedas correntes.
As ações na internet, os uploads
e downloads, as propagandas, a própria conexão são feitas por pagamentos em
dinheiro.
As negociações diárias nas Bolsas
de Valores, presente ou futura, de manufatura ou tecnológica, mesmo usando
telas digitais, são finalizadas em valores.
As perdas por catástrofes
naturais, acidentes dos mais variados e danos estruturais causados por
terceiros são computados em dinheiro além do número das vítimas.
As indenizações por danos morais
(coisa subjetiva), por prejuízos causados ao patrimônio público ou privado (coisa
objetiva) e indenizações por dolo de qualquer natureza são valorizadas em
dinheiro.
O poder nas instituições humanas tem
o dinheiro no seu centro.
A lista é enorme, finita, mas
enorme. Apenas que cansei de tentar encontrar palavras mais atenuadas para a
ganância do ser humano e dos governos aos quais estamos subjugados. Como já
disse o apóstolo Paulo:
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de
males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos
com muitas dores.
I Timóteo 6.10
Aparentemente não podemos fugir completamente disso, não
podemos simplesmente optar por não usar o dinheiro ou por não trabalhar para
ganhá-lo, sem as consequências que isso gera, não deixaremos de fazer o bom uso
do dinheiro (se é que isto existe) e, ele, atualmente, é aquele “mal necessário”
a todos nós, porém não deixaremos de ver todos os dias, enquanto este sistema
persistir, os resultados que ele produz nas vidas de bilhões de pessoas no
planeta.
Carlos de Carvalho
Teólogo e
Cientista Social pela Universidade Metodista de São Paulo
Fundador da ONG ABAN
Brasil
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